3.1.15

PODE ACONTECER


Pode acontecer que o piar de um pássaro te chame à amurada do navio e lhe perguntes donde vens, de que terras te perdeste, que procuras no meio do nada, que recado trazes lá donde partiste, donde fugiste. 
Que sabes tu da dor de um pássaro no meio da tarde, no meio do mar, olhando-te, sim, olhando-te, o seu olhar de vidro igual ao olhar dos mortos, mesmo assim de corpo alucinado, e tu perguntando, repetindo, mais alto, donde vens, que escondes que não me dás, que queres de mim, perdida de mim, no meio desta tarde, no meio deste mar, sabendo agora de um pássaro de nenhures, que me visita, me desafia, me enternece. 
Foi breve o tempo do pássaro no navio. Partiu, como veio, sulcando o nada, e tu, num aceno, a dizeres um nome improvável para um pássaro em perpétua viagem.

Licínia Quitério

1.1.15

ANO NOVO



Esplendoroso dia. 
Sobre a cidade o sortilégio do azul. 
Nada pode calar este assombro. 
Dizemos liberdade com a voz dos pássaros.
Vamos colher a novidade.
Vamos.


Licínia Quitério

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