27.9.19
25.9.19
AUSÊNCIA
Difícil titular o que não é
senão a leveza do fumo a custo percebido.
A macieza numa mão fechada,
o esboço de sorriso, só o esboço,
a promessa de abraço que não passou
de um parêntesis recto em demasia,
o beijo numa pressa a descolar da pista,
o banco da reforma com a tinta a estalar e
um abutre, ou um anjo, lá no alto
a espreitar.
O táxi que nos pega nas horas de dormir
e, no fim da corrida, um deus branco a acenar.
O café, a morfina do social correcto,
com cheiro a roças e a negros de cetim.
A mulher que lamenta não ser capaz de rir ou
o louco em gargalhadas com vidros no olhar.
O falar por falar -
rosário de palavras ou contas por contar.
partilhado por
Licínia Quitério
às
9:40:00 da manhã
0
comentários
23.9.19
OUTONO
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:06:00 da tarde
0
comentários
17.8.19
DIGO
partilhado por
Licínia Quitério
às
5:11:00 da tarde
1 comentários
2.8.19
CRESCER
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:13:00 da tarde
0
comentários
14.7.19
CHEGAMOS
partilhado por
Licínia Quitério
às
1:15:00 da tarde
1 comentários
7.7.19
O BARCO
partilhado por
Licínia Quitério
às
3:12:00 da tarde
4
comentários
2.7.19
8.6.19
30.4.19
O FORTE
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:23:00 da tarde
0
comentários
26.4.19
DE AMORE
o vício de te querer.
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:10:00 da tarde
1 comentários
31.3.19
QUE SEJA
Preciso de um assombro, de algo que apazigue a intermitência das sombras, que desalinhe as paralelas infinitas, que transtorne a monotonia dos calendários, que arrase e desfaça e refaça e recrie, sem explicação, sem teorema, sem axioma, que não responda nem pergunte, que não brilhe nem se apague, que seja a ponta da espada e a bainha e a força do punho e não fira nem salve, não inunde nem seque, que tenha a voz e a mudez que nos nasce e nos mata. Que seja.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:39:00 da tarde
3
comentários
19.3.19
O TEMPORAL
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:16:00 da tarde
1 comentários
6.3.19
RUAS
![]() |
Ruas que cheiram a sal, a barcos.
Ruas de homens e mulheres de muitas fainas,
de muitas falas, cantadas, onduladas
de marés várias.
Em todo o mundo há ruas assim,
com o mar ao fundo, a espreitar,
a acenar, vem comigo marear.
As ruas sorriem e coram,
mas não vão.
Ficam em terra a acoitar
as mulheres, os homens, a escutar
suas histórias de pasmar.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
3:12:00 da tarde
2
comentários
12.2.19
SIM
Os livros, sim.
A escola, sim.
E a pele, e o ouvido, e o cheiro, e o olhar, e o paladar, sim, sim.
Olhar quem passa, ouvir o amigo e o inimigo, cheirar o pão, o ferro, o suor, o vinho, a maresia, sentir o frio, o calor, a macieza da pele, do pelo, sentir o corte, o empurrão, a dor, o aperto, o abraço, saber o amargo até ao fel, o doce até ao mel.
Se o tempo chegar, estudar a filosofia dos gatos, das magnólias, do xisto, dos velhos sábios, dos velhos ignorantes, da lua nova e da orion.
Depois dormir, com um livro inacabado sobre peito.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
9:10:00 da tarde
1 comentários
31.1.19
SÍTIOS
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:56:00 da tarde
1 comentários
1.1.19
2019
Mais um ano
tantos anos
os que passaram por mim
a apontarem o caminho
que eu nem sempre segui
mas nunca me arrependi
que o caminho somos nós
nossos o corpo e a vontade
nosso é tudo o que colhemos
seja bondade ou maldade
as dores e os amores cruzando
com as canções que cantamos
com os versos que escrevemos
com os amigos que alcançamos
com os amigos que perdemos
muitos anos
deste mundo em desvario
de gente à míngua de pão
de velho a morrer de frio
de fogo no arvoredo
de gente de arma na mão
de gente à beira do medo
sem que eu os possa contar
Meu caminho foi somar
por vezes diminuir
e outras multiplicar
para poder dividir
sabendo que o resultado
desta vida desta escrita
depois de bem apurado
é uma dízima infinita
partilhado por
Licínia Quitério
às
9:28:00 da tarde
6
comentários
31.12.18
SE EU FOSSE
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:45:00 da tarde
0
comentários
22.12.18
PAZ
partilhado por
Licínia Quitério
às
5:36:00 da tarde
3
comentários
11.12.18
UMA ROSA
Uma rosa é uma rosa
A rosa nasce onde a dor se apresenta se afinca a morder a roer a rasgar o tecido a amarelar o sangue a corromper o nervo
No coração da ferida
nasce a rosa É um sorriso no matagal uma maçã no escombro Nasce de noite sobre a erva má Quando amanhece e o corpo aquece a rosa cresce a rosa dança ao derredor da chaga e a perfuma e a enlaça e o corpo esquece a fundura do poço o tremor o fervor da pele até ao osso
Ora sim ora não
o corpo avança Rosa rosae é uma declinação é uma oração a desviar a lança
Licínia Quitério
|
partilhado por
Licínia Quitério
às
4:58:00 da tarde
2
comentários
arquivo
-
▼
2019
(17)
- set 2019 (3)
- ago 2019 (2)
- jul 2019 (3)
- jun 2019 (1)
- abr 2019 (2)
- mar 2019 (3)
- fev 2019 (1)
- jan 2019 (2)
-
►
2018
(41)
- dez 2018 (4)
- nov 2018 (3)
- set 2018 (3)
- ago 2018 (1)
- jul 2018 (4)
- jun 2018 (7)
- mai 2018 (3)
- abr 2018 (4)
- mar 2018 (2)
- fev 2018 (4)
- jan 2018 (6)
-
►
2017
(56)
- dez 2017 (5)
- nov 2017 (3)
- out 2017 (3)
- set 2017 (4)
- ago 2017 (5)
- jul 2017 (5)
- jun 2017 (3)
- mai 2017 (6)
- abr 2017 (5)
- mar 2017 (4)
- fev 2017 (4)
- jan 2017 (9)
-
►
2016
(46)
- dez 2016 (7)
- nov 2016 (7)
- out 2016 (4)
- set 2016 (4)
- ago 2016 (1)
- jul 2016 (4)
- jun 2016 (5)
- mai 2016 (6)
- abr 2016 (1)
- mar 2016 (1)
- fev 2016 (2)
- jan 2016 (4)
-
►
2015
(50)
- dez 2015 (5)
- nov 2015 (2)
- out 2015 (3)
- set 2015 (4)
- ago 2015 (5)
- jul 2015 (5)
- jun 2015 (5)
- mai 2015 (4)
- abr 2015 (7)
- mar 2015 (6)
- fev 2015 (2)
- jan 2015 (2)
-
►
2014
(60)
- dez 2014 (4)
- nov 2014 (5)
- out 2014 (4)
- set 2014 (4)
- ago 2014 (5)
- jul 2014 (6)
- jun 2014 (5)
- mai 2014 (7)
- abr 2014 (3)
- mar 2014 (7)
- fev 2014 (4)
- jan 2014 (6)
-
►
2013
(48)
- dez 2013 (5)
- nov 2013 (3)
- out 2013 (5)
- set 2013 (5)
- ago 2013 (7)
- jul 2013 (4)
- jun 2013 (5)
- mai 2013 (3)
- abr 2013 (1)
- mar 2013 (3)
- fev 2013 (3)
- jan 2013 (4)
-
►
2012
(52)
- dez 2012 (4)
- nov 2012 (4)
- out 2012 (6)
- set 2012 (2)
- ago 2012 (4)
- jul 2012 (6)
- jun 2012 (4)
- mai 2012 (4)
- abr 2012 (4)
- mar 2012 (4)
- fev 2012 (5)
- jan 2012 (5)
-
►
2011
(60)
- dez 2011 (5)
- nov 2011 (3)
- out 2011 (6)
- set 2011 (6)
- ago 2011 (6)
- jul 2011 (3)
- jun 2011 (5)
- mai 2011 (7)
- abr 2011 (4)
- mar 2011 (8)
- fev 2011 (3)
- jan 2011 (4)
-
►
2010
(54)
- dez 2010 (4)
- nov 2010 (3)
- out 2010 (5)
- set 2010 (5)
- ago 2010 (5)
- jul 2010 (3)
- jun 2010 (9)
- mai 2010 (4)
- abr 2010 (5)
- mar 2010 (3)
- fev 2010 (4)
- jan 2010 (4)
-
►
2009
(54)
- dez 2009 (3)
- nov 2009 (3)
- out 2009 (3)
- set 2009 (5)
- ago 2009 (4)
- jul 2009 (7)
- jun 2009 (4)
- mai 2009 (5)
- abr 2009 (3)
- mar 2009 (6)
- fev 2009 (5)
- jan 2009 (6)
-
►
2008
(55)
- dez 2008 (6)
- nov 2008 (5)
- out 2008 (5)
- set 2008 (4)
- ago 2008 (4)
- jul 2008 (4)
- jun 2008 (5)
- mai 2008 (5)
- abr 2008 (5)
- mar 2008 (4)
- fev 2008 (4)
- jan 2008 (4)












