
26.5.08
JÓIAS

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21.5.08
A NEVE HÁ-DE SER
no meu país a neve há-de ser cor-de-rosa.
eu a esmagar nos dedos flores de seda.
eu com uma rosa a morder-me na boca.
eu deitada na branca planície dos teus olhos.
eu a dançar nas espirais da tua voz.
eu no ramo mais tenro da árvore de cristal.
eu com um animal ferido nos braços.
eu com uma corda de esparto em redor da cintura.
eu a cobrir de versos os muros velhos do meu país.
Licínia Quitério
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16.5.08
SOBREVIVOS
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10.5.08
NOTICIÁRIO
Notícias da Resistência:
As chuvas persistem em inundar a planície.
Quando as águas se retiram e descem aos vales sombrios, ficam estranhos desenhos de dores entrecruzadas.
Os aprendizes de adivinhos escrevem o passado nos jornais que ninguém lê.
Na casa, os móveis continuam a estratégia do pó para iludirem os antigos olhares.
Em quartos alugados, dizem-se palavras clandestinas e muitas mulheres as recebem nos colos remoçados.
Os poderosos insistem em abrir estradas de breu onde as formigas exaustas se suicidam.
Última hora:
Uma jovem planta de acanto, prestes a dar à luz, pediu asilo a uma mata de castanheiros. Deles, o mais velho e mais sábio ordenou que lhe dessem uma beberagem verde.
Nota de rodapé:
Aqui na Resistência chamamos-lhe Xarope de Utopia. Usamos e abusamos.
Licínia Quitério
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6.5.08
ARQUITECTURA
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30.4.08
MAIOS
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23.4.08
É ABRIL
Tem sido uma encosta íngreme. De muitas flores e de muitas pedras.
Hoje leio as notícias e estremeço. Lucros com muitos zeros à direita, reformas opulentas. Os sem casa, os sem emprego, os sem saúde, os velhos, muitos velhos. Os sem esperança, os sem voz, os com medo, os com fome. Os arrogantes, os rastejantes, os pedintes. Também os sonhadores e os limpos e os que falam verdade e os que não vendem nem compram porque só sabem dar.
Sou feita de muito Abril. Quase cheguei ao cimo da encosta.
Vou ainda envolver-me na lembrança do clarão das ruas e dos risos, suavemente deslizar pelo dia e afagar um cravo cor de sangue e glória.
Um terno abraço, Companheiros!
Licínia Quitério
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17.4.08
UM HOMEM
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8.4.08
ANDANTE
foto de J. Abel
Vem da noite insone das copas. Esquecido do fantasma das décadas nos ombros, assombrado pela poalha de esmeraldas na paisagem, segue o trilho dos eternos caminheiros. Uma casa ao longe, uma porta aberta, uma presença. Ainda não - este o seu grito na manhã. Com uma garra no peito, aguarda o eco. Um dia, quando a porta da casa se fechar, não saberá ouvi-lo. Hoje, modulados numa estranha harmonia, os sons regressam. Continua, com um sorriso líquido nos olhos. Vai riscando o cinzento das bermas com a cor sanguínea dos cabelos da urze quase seca.
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1.4.08
UMA ROSA
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25.3.08
DE SÚBITO
De súbito uma cor
a confundir o branco
um pequeno volume
a deformar o nada
um claro atrevimento
na placidez do sono
uma preciosidade
uma jóia sem nome
um rasto de cometa
o recado de um sol
como se fosse possível
enunciar instantes
como se fosse prestável
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18.3.08
ERA OUTRO O TEMPO
Era outro
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10.3.08
TESTEMUNHO
Hás-de contar-lhes como atravessámos os serões com uma faca nos dentes, aguardando as pancadas secas na porta das traseiras. Que só podiam ser três, com um segundo de tempo entre elas medido. Abria-se Sésamo e a conversa folheava histórias com ladrões de pão e de futuro. Declarávamos que as asas da verdade seriam velozes e seus rumos altos e certeiros.
Hás-de dizer-lhes como voltámos ao claro-escuro dos pátios onde deixáramos as construções de saibro e chuva, para nos alegrarmos com o germinar das sementes.
Não lhes dirás que alguns deles rapinarão as águas, nem que outros soltarão os cânticos purificadores da sujidade das ruas.
Deixa que riam quando uma cigana lhes ler a sina na palma da mão.
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4.3.08
GRAFIAS
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26.2.08
COMBOIOS
Os comboios,
Despertam quando param,
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19.2.08
DESVARIOS
Era verde e chamaram-lhe mar. Verde com escamas negras vindas do longe, do buraco fundo da vigília. Cansado de ser chão, ganhou vulto, encorpou, alteou-se em dorso de dragão. Ouviu dizer escarpa e sentiu medo do nome e da ameaça das sílabas. Pensou-se vermelho, quente e amadurado, peregrino terra adentro sobre marcas indeléveis de signos eternos. Encetou a descida, abrandando a fúria de chegar. A cor das vestes, esmaecida, dizia-lhe repouso. Palavra pouca para a branca agonia duma estrela.
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12.2.08
ERA UMA VEZ
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1.2.08
NOITE E DIA
É hoje o dia.
Levantámo-nos tarde. Perdemos esse dia e outro e outro e outros mais. Até que a noite atenta se vingou.
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25.1.08
FOI QUANDO DISSE
digo, estátuas.
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16.1.08
CENÁRIOS IMPROVÁVEIS 3
Temos tanto mundo para andar.
É só redescobrir o antigo olhar e perscrutar o interior das grutas.
Expulsar da pele os detritos do tempo.
Caminhar ao acaso sobre tesouros e segredos.
Repegar os cenários improváveis do anúncio que fomos e aguardar naturalmente a explicação das pedras.
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