Licínia Quitério
28.10.08
Outras falas
Licínia Quitério
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4:16:00 da tarde
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17.10.08
FORAM OS CORPOS
Foram os corpos desenhos de caminhos
traçados no labor dos dias úteis
em vermelhas praias calorosas
em lívidas luas friorentas.
Aprumados cresceram entre penhascos e lonjuras
atentos sempre à inclinação das noites.
Com versos brancos na língua incendiados
acrescentaram pele a outra pele.
Depois veio o deserto e os corpos
aprenderam novas sedes
já não de águas correntes
mas de estrelas.
Do deserto ao dilúvio foi um palmo de vida
e então os corpos se fizeram casco
se fizeram vela e navegaram.
Não se perderam.
Eram eles o mapa da viagem.
Licínia Quitério
Música: Wim Mertens
NOTA: Vou estar ausente por um curto período. Voltarei com novo fôlego, espero. Entretanto, desejo-vos bons tempos e boas publicações. E deixo beijos.
Licínia
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2:43:00 da tarde
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11.10.08
IRONIAS
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4:26:00 da tarde
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6.10.08
QUAL DE NÓS
Que terras procurei e não achei?
Quem sabe é o timoneiro.
Porque morria o sol quando o barco virou?
A tarde era tão fria.
Por que mares naveguei antes de naufragar?
Por todos onde correm os cavalos do vento.
Quem me salvou da escuridão dos fundos?
Um pescador que na noite cantava.
Qual de nós se perdeu e não voltou?
O eco te responde.
Qual de nós?
Qual de nós?
Licínia Quitério
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12:27:00 da tarde
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1.10.08
TEMPO
A Terra gira no sentido inverso
Foi assim que aprendi na Primavera.
Licínia Quitério
Música: Edith Piaf - Les Trois Cloches
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11:30:00 da manhã
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24.9.08
UMA SOMBRA
Na íris de outros olhos foi azul,
vermelho
e oiro vivo.
Na íris dos seus olhos foi a prata,
o verde
e a voz indefinível das marés.
No matiz da paixão
não se atreveu o branco.
No inverno foi a sépia
a devassa dos troncos,
do lajedo.
Depois da cor
há-de vir uma sombra.
Um soluço, um vibrato,
uma vertigem,
uma sombra, uma sombra...
Licínia Quitério
Música: Ainda a Callas
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21.9.08
O QUE FICA...?
Licínia Quitério
Música: Maria Callas
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14.9.08
AO NORTE 2
Trago-te a batida das asas da águia, o sopro da flauta do pastor, a doçura do olhar do cervo, a fundura dos lagos, a mudez hierática dos castelos assombrados, o choro dos vencidos e também o choro dos vencedores, as estranhas palavras acentuadas a bronze e sangue e a chuva poderosa e vertical.
Tudo te dou que por ti fiz o caminho.
Mais não trouxe senão esta vontade de chegar.
Licínia Quitério
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3:44:00 da tarde
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8.9.08
AO NORTE
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21.8.08
LUGARES
Colorida a turba no vai-vem de falas noutros lugares nascidas. Pelas vielas, rosas de sangue com brandos espinhos cor das sombras da tarde. Os ecos breves do trote dos cavalos lambem a polpa granulosa das arcadas. Velhos corações procuram sinais gravados no musgo em doces caminhadas de inverno: um cheiro a vinho quente e rubro, cintilações em bojos de cristal, a voz fraquinha de um sino cumpridor, o corpo de um cão pesado e branco na soleira cansada e escura.
De como rever a quentura do inverno na frieza do verão.
Imagens reveladas. Reveladoras.
A tenacidade dos lugares.
Licínia Quitério
Pedido de desculpas - pela falta em comentar os vossos posts. Período de preparação de férias e de outras ocupações. Obrigada sempre pela vossa companhia. Licínia
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15.8.08
FRESCURA
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9.8.08
DO CALOR
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4.8.08
O GESTO
Porque foi então que eu não disse alga e muro e mar com os olhos e as mãos de quem diz uma frase solta? E se eu tivesse dito alga e muro e mar com os olhos secos e as mãos escorrendo as ancas ? E se eu tivesse calado alga e muro e mar ?
Se eu não tivesse dito alga e muro e mar com os olhos a brilhar e as mãos cruzadas sobre o colo, a alga seria um estilhaço encalhado numa ruga do muro azul. E não teria sido absoluto e comovido o entendimento da hora em que a alga não foi mais do que o meu gesto de a receber.
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28.7.08
A CASA
A casa sempre estala
que não há outra forma
de, no gelo da terra, perdurar.
Depois há os incêndios dos sonos breves
a tatuar na cal escorpiões,
crescentes de lua,
asas de borboleta,
algumas palavras sem vogais,
inesperadas simetrias.
Assim a grande casa,
monumental ruína,
livro do princípio com uma página em branco.
Alinhados permanecem os ninhos
de onde partiram todas as aves
no cinismo dos calendários.
A luz a justifica,
a define, a revela, a oferece
ao braço redentor do esquecimento.
Nada mais a dizer.
Licínia Quitério
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23.7.08
MEU VELEIRO
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16.7.08
1.7.08
DESPOJOS
São meus estes despojos?
A quentura do ar fecha a pergunta
no lar da minha boca.
Heróis de anónimas batalhas
passeiam-se ondulantes
na luz negra das janelas.
Dormem as aves.
Os lagartos devoram
a parede de sol.
Migrantes as águas,
tombados os cântaros.
Sítios que me habitam
nas horas do silêncio.
Licínia Quitério
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24.6.08
CANTATA DO DESASSOMBRO
Vou por entre as sombras
com uma saia de luz
e um trevo ao peito
Não sei dos símbolos
na casca das bétulas
nem da fala dos bruxos
curvados sobre a noite
nem do hálito das gárgulas
corroendo as pedras
Mergulho na água
a escrita das minhas mãos
e inauguro um livro
com a medida exacta
de um corpo nos meus braços
Sei da vida o que a morte me ensinou
A minha saia é luz e nada temo
Licínia Quitério
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19.6.08
REGRESSO
O piar dos pardais, à boquinha da noite, em luta por um abrigo nos braços do velho plátano solitário.
Noite feita, os morcegos a rasarem a janela, com seu chiar de ratos.
Quando a janela da infância se fechava, começava o sono. E nele entrava um novo mundo, encantado e bizarro.
Era então que o canário da vizinha Celeste, liberto da prisão, voava como um louco em redor da cabeça do Júlio sapateiro, a bater sola sem fazer ruído, empoleirado no carro de bois que, vendo bem, nem era um carro, mas uma gaiola a abarrotar de pardais.
E havia os gritos, os gritos das corujas das torres, procurando as orelhas dos meninos da rua.
Depois, num clarão, as corujas, transformadas em pirilampos, pousavam, brandamente, no carrapito da vizinha Celeste.
Também os mundos se cansam.Talvez por isso, chegava o tempo em que tudo parava. E aquele mundo subia, subia, subia, deixando cá em baixo, ao rés do sono, a quietude, a grande paz. Até que, despertado pelo sol madrugador, o canário da vizinha Celeste cantava de novo, em estridências de amarelo oiro, a pedir-me que abrisse, inda por mais um dia, a janela da infância por onde entrava o mundo.
Licínia Quitério
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13.6.08
CANSADOS RIOS
Se me perguntas
de que águas
me alimento
digo-te do tempo
em que os rios
tranquilos rios
de penas brancas
amaciavam mágoas
nos ombros da verdura
nada mais te digo
que hoje todas as palavras
são águas de outros rios
cansados rios
de chumbo e desassossego
Licínia Quitério
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