Eram meninas e brincavam.
Inventavam a floresta
e ela acontecia.
Foram meninas e brincaram...
Licínia Quitério
Talvez esse Poema que todos procuramos um dia assome a esta janela
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Não se mede esta força de atar
folhas verdes a troncos velhos.
A força de amarrar os barcos
ou de pegar nos frágeis ovos.
De esmagar o veneno ou
de amparar o sopro da tarde.
De acarinhar a pele ou
de empurrar o corpo encosta acima.
Não se mede esta força.
Por agora não há como nem porquê.
Saberemos do ofício quando
o tempo vier de dizer fome
com as letras de pão,
com o peso das penas,
com as cores da madrugada.
Licínia Quitério
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3:07:00 da tarde
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Envelheceram as bermas dos caminhos.
Sombras, muitos risos fugidos do amanhã.
Por dentro do meu peito voam pássaros,
redondos pássaros de redondos cantos.
Levo-os a visitar caminhos de ontem.
Liberto-os no deslumbre do ribeiro.
Voltarão ao ninho, ao coração da frágua.
O sol a pique na queima da memória.
E a água em seu labor, criando o verde.
Licínia Quitério
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2:05:00 da tarde
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Enquanto o lobo não chega
com o tempo atado nas goelas,
vigiamos a escuridão e os sinais
de luz nas matas sonolentas.
Quem sabe, vaga-lumes esquecidos
das infâncias, ou o sabor do pão
das mães a iluminar a fome.
Indistintos contornos de meninos
perdidos ou de mulheres insanas
com breu e oiro nos cabelos.
É a lua, dizem, que nos solta
da raiva primitiva dos presídios
e nos ensina o uivo disfarçado
no vai-vém incansável das marés.
Luar de fel por vezes, solitária luz.
Por entre os dedos fios de amor
escondido sob o adro de lajedos.
Luar de mel, também, na berma
clara de um caminho novo,
na trama de uma manta de segredos,
na média noite sem grades e sem lei.
Licínia Quitério
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1:21:00 da tarde
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4:15:00 da tarde
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Haja um tempo em que o Verão
abra caminhos limpos, intervalos
de sombra onde dormitem musgos,
e as asas dos pássaros se aquietem
e os pés cansados se refresquem
na leveza das águas, no recorte
das ervas.
Num tempo assim hão-de ecoar
cantares de amor e abundância
no côncavo dos poços, nas cavernas
do frio, na garganta dos tristes.
Dobrados, rente ao medo, esperam.
O tempo há-de chegar.
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10:41:00 da manhã
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Ainda lá está, o banco. Clarisse fez questão de voltar ao pequeno largo e de saber notícias do tempo ido. Podemos chamar-lhe álbum, mas há dias em que Clarisse põe outras dimensões no olhar e vê, por exemplo, como o sol das onze horas num dia de Setembro se apodera do banco e o torna senhor do largo, como se não houvesse o austero edifício e a pequena igreja e as flores amáveis da azálea que se oferecem como bouquets de noiva, em berma de estrada. As fotos antigas transportam castelos de nuvens. Claro-escuras, de céus carregados de tempo e de bruma. Pensa-se deitada no chão da praia, não vês o coelho a espreitar, por detrás da torre do castelo. Isso mesmo, o vento está a desfazer-lhe a orelha, o pobrezito. É o caminho dele, seguir a tarde até ser barco, ou perfil de velho, ou nada que tenha nome a não ser de nuvem. Clarisse nunca fixou rostos, a não ser os de olhos falantes, melhor ainda se gostosos de brilhar. Prefere imaginá-los, na mancha de café sobre a mesa, no recorte da folha do livro antigo, na sombra dos ramos no luar da cal. Varrendo a foto, lentamente, com o vagar das horas que lhe sobram do colo, consegue recuperar uma silhueta de mulher que um dia passou no largo sem olhar o banco guardador de sol. A mulher, diz agora, caminhava devagar e sorria e quem sabe se o Homem sorria ao seu lado e nem precisavam de saber do banco, que o cansaço ainda não nascera e o sol morava dentro deles em quatro estações. Clarisse não tem emenda. Persiste em contar histórias que as fotos não dizem e em inventar rostos de olhos falantes que dos outros, em verdade, se esquece.
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3:43:00 da tarde
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Violência é a fome, o choro
infindável de etiópias, o medo
de as saber e rastejar aos pés
da escarpa triunfante, cesárea,
coroada.
O amor, ah sim o amor, a poesia,
as danças e o pôr-do-sol a desabar
cornucópias de cor no litoral.
Foi sempre assim, não é? O riso impune
das hienas e a espera dos abutres.
Desde que o homem é homem.
Ou quando já não é. Amen.
Licínia Quitério
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3:39:00 da tarde
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6:41:00 da tarde
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O novelo das horas tem as cores térreas do tigre,
a tensão das garras do tigre na tapada,
a quietude do concílio das gaivotas,
um zumbido de moscas em redes de ganância.
Só a água, quando for dela o dia, ternamente,
dissolverá o erro, e o medo escorrerá, aveludado,
pelos corpos dos amantes. Da fúria, um beijo novo.
Os tigres dormem, na tapada.
Licínia Quitério
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1:05:00 da tarde
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Uma rosa líquida nas veias
é o que resta do jardim
depois do vento agudo
no esplendor do ácer.
Da abundância da chuva
ficaram feridas no saibro
provisório dos caminhos.
Cicatrizes serão, enigmáticas,
belas, nos dias quentes
dos sabidos enganos, desejados.
Uma rosa negra, líquida,
desafiando a fome, o vidro.
Licínia Quitério
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3:05:00 da tarde
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9:38:00 da manhã
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Uma prece, um tijolo,
uma deusa, uma pedra,
uma morte, uma tinta,
um cimento de suor e de fé.
O desafio do tecto,
a certeza do arco,
as batalhas da luz,
a escalada dos muros,
o aprumo, o rigor,
o atrevimento, o risco.
A mão do arquitecto
presa ao fuste
e um rasto de cor
ensanguentada
a encher o copo de oiro
do anúncio do dia
de uma outra construção.
Talvez igual, talvez a tal.
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Pode ocorrer um verão em que o calor
seja martelo e escopro contra as dunas
e as fragmente teimosamente fragmente
até que a visão táctil das miragens
desfaça a maldição dos velhos
e o sangue do mar em terra firme
apazigue o cansaço dos rebanhos
e a secura aprendida dos escravos.
Intactas ficarão as grutas dos mistérios
com as tábuas de sal por decifrar.
Os homens do deserto moldarão
com as mãos ardidas letras novas
outras perguntas cantos jovens
repetidos rostos de mulheres-leoas
enigmáticas como devem ser.
Ínfimos fragmentos só o verão os traz
e os crava na dor da pele em chamas.
Licínia Quitério
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Licínia Quitério
Nota - Voltarei no sétimo mês. A este e ao Outro Sítio. Penso que Clarisse não deixará de me acompanhar. Lembrando Luís de Stau Monteiro, aconselho: Agarrem o Verão, Amigos, agarrem o Verão!
Licínia
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Quando nasci, foste-me casa e rua,
o nome duma história a descobrir
e o mundo numa praça à beira rio.
Pela minha cidade me pensei
transeunte da boémia e da saudade,
a rimar caravela e desacato.
Entristeci nos palcos e nos becos
até que o cheiro a cravo se soltou
e Arlequim pulou e a lágrima secou.
Então te amei de amor aberto e rubro
neste pontão de enganos, nesta luz
sempre acesa no vidro dos telhados.
Pelas esquinas de vultos rente ao escuro,
de novo se alimenta esta cidade
com sobras de ternura e ousadia.
Persistência de pombos e mendigos
na rapina do sol e das sementes.
Meu corpo, minha terra, minha gente.
Licínia Quitério
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Licínia Quitério
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Licínia Quitério
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