12.8.22

INVOCAÇÃO

 Vem sereníssima

moradora

nas alturas dos sonhadores

nas profundezas dos tombados

nos mares dos fugitivos

nas celas dos cativos

Vem suavíssima

sabedora

da aflição dos abusados

da solidão dos desprezados

do desespero dos perdedores

da decepção dos ganhadores

Vem humaníssima

amante

do silêncio nocturno

do estrépito diurno

Vem poderosíssima

dona

dos segredos inconfessados

da contradição dos espíritos

dos medos da paz e da guerra

dos medos da fome e da abundância

 

Vem desconhecida

Aqui te invocamos

Podes ser deusa

Podes ser sibila

Podes ser amor

ou poesia

Vem aplacar a fúria de todos nós

Estamos perdidos

sós


Licínia Quitério


1 comentário:

tb disse...

Um belo poema em jeito de apelo, que tanto gostei de ler, amiga.
Já sabes que gosto muito de tudo o que escreves seja poesia, seja prosa.
Um beijo

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