A água desistiu dos cântaros.
No novelo dos dias por contar
os caminhantes da fortuna
tecem mantas
de aconchego e perdição.
As velas ardem a alumiar a estrada.
Talvez esse Poema que todos procuramos um dia assome a esta janela
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Licínia Quitério
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Licínia Quitério
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De que serve um poema
se não for também sangue também ferida
se não disser da esperança assassinada
da negra solidão dos precipícios
Que poema desgraçado será
o que disser amor e não souber
o seu odor a mar o seu toque
que do cardo faz cetim
Um poema tem de crescer por dentro dos escombros
a salvar as crianças soterradas
Se não souber de guerras cale-se o poema
Se não souber de paz também se cale
Um poema indiferente
que não souber dizer senhora liberdade
não servirá de estrada não voará
mesmo que diga ave da madrugada
Os homens precisam de poemas
que digam carne e soluço
desfaçam vendas e amarras
abracem os nascidos e os que vão nascer
Poemas haja de vida e morte
que digam princípio e fim
por isso o caos e a ordem
por isso a sorte e a contradita
Um poema virá do novo tempo
a desfazer a tempestade
com a força das sílabas sonoras
a anunciar o reabrir da claridade
Licínia Quitério, na antologia "Numa rua completamente às escuras movem-se estes versos"
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Licínia Quitério
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4:46:00 p.m.
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