Redondo o mundo de caminhar em frente.
Paralelamente ao cordão de tristezas
uma mão de desejos como esporas
que fazem sangrar que fazem correr.
Todo o corpo arde na febre da viagem.
Todo o corpo arrefece na praça da memória.
Um só corpo não basta para poder voltar
à casa construída.
Na outra volta do mundo
no outro vão do arco
uma luz se levanta
cada dia mais clara mais bondosa.
É o sinal do silêncio na linha da partida.
Um corpo continua para que outro recomece.
Nunca uma casa permanece.
Licínia Quitério

