28.5.26

AS VELAS

Atravessam as horas e os anos
os caminhantes da fortuna
Longos os dias de tédio
sem anúncios de horizonte
A névoa não morreu de madrugada
A água desistiu dos cântaros
No novelo dos anos por contar
os caminhantes tecem mantas
de aconchego e perdição
As velas ardem a alumiar a estrada

Licínia Quitério

24.5.26

A ROMÃ

quem sabe um dia

esquecida a seda do vestido

eu seja bago e outro e outro

e seja festa

na mesa do inverno


Licínia Quitério

 

24.1.26

A NEVE

 Se eu caminhasse sobre os campos de neve e olhasse para trás, perceberia um rasto verde de agulhas e um cheiro morno de incenso no altar da distância.

Havia de sentir uma dor provisória, amortecida, guardadora dos casulos da memória, uma garra cravada na garganta do inverno.

Chegada a hora de afastar um sonho enroscado no pulso, pegaria na espuma e nas sombras para as depor na paisagem com a leveza que as aves ensinam.

 Licínia Quitério


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