17.11.25

A FRONTEIRA

 

quero passar a fronteira

trago comigo

fechado neste saco

o pouco que aprendi

na mala a abarrotar

a teimosia de viver


mais nada a declarar

a não ser

senhor agente

este frasco a cheirar

às mãos da minha mãe

em afago permanente


senhor agente

vou dizer-lhe um segredo

uma fronteira é um traço

num mapa

é só passar um dedo e apagar


não conte a mais ninguém

e deixe-me passar


adeus senhor agente
Licínia Quitério

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