24.1.26

A NEVE

 Se eu caminhasse sobre os campos de neve e olhasse para trás, perceberia um rasto verde de agulhas e um cheiro morno de incenso no altar da distância.

Havia de sentir uma dor provisória, amortecida, guardadora dos casulos da memória, uma garra cravada na garganta do inverno.

Chegada a hora de afastar um sonho enroscado no pulso, pegaria na espuma e nas sombras para as depor na paisagem com a leveza que as aves ensinam.

 Licínia Quitério


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