Sobre o seu pelo macio e o seu mau feitio e a sua proverbial independência.
Há gatos que passeiam pelas vagas inspirações dos poemas e pelos inesperados desacordes dos teclados.
Muito se fala do sorriso esfumado do gato de Chester e muito se ignora a aflição de Alice.
Há os gatos elegantes da infância e os gatos rechonchudos da velhice.
Há famosos pintores de gatos e gatos que ninguém sabe como entraram na tela.
Há gente que perde tempo a falar de gatos, dos seus gatos, e das pobres pessoas que nunca tiveram um gato.
Há gatos que se instalam nas páginas de um texto e esfarrapam as melhores intenções do seu autor determinado a não falar de gatos.
Licínia Quitério
25 comentários:
pois é - os gatos têm sete vidas (dizem). e são uns penetras - aparecem mesmo quando não são convidados.
o texto está excelente. como sempre.
beijos
Licinia,
eu acabo sempre a ler os teus textos com um sorriso. Umas vezes, levas-me a imaginar paisagens distAntes e frias, outras, a enternecer-me, outras ainda a encontrar uma graça, assim uma graça "felina", como hoje.
Já escrevi um pequeno texto, que aborda ao de leve uma "idosa senhora" que vivia sozinha com os seus gatos...vejo-me por vezes nela, ou encontro-a às vezes em mim, embora não tenha (ainda?) um gato...mas tive muitos na mnha infância. Todos os que apareciam no quintal da minha tia. Levava os mais pequenos escondidos sob a minha camisola, quando me obrigavam a fazer a sesta. De quando em quando tinha a sorte de apanhar um, naqueles momentos de "ron ron". Sabes? quando aceitam todos os afagos que as mãos de uma criança são capazes de inventar. Graças a um deles, fui contagiada com a toxoplasmose. Nada de grave.
Todas as brincadeiras com os gatos vadios dos quintais, valeram pelo susto de muitos anos depois :)
Que mais te dizer? Gosto de gatos e gosto de te ler.
Beijo e um bom domingo!
Gatos só no seu texto
como farpas
Gostei
Gostei deste gato intruso que me olha desconfiado...
Excelente post. Como é hábito...
Um beijo
Da fina ternura com uma ponta de irnonia. Belíssimo texto.
... difícil difícil é escrever sobre girafas: ocupam-nos o espaço todo da folha apenas com o pescoço. Tendo dedicado a minha vida a escrever sobre animais (e para os animais) poderia aqui deixar alguns testemunhos interessantes como o daquela hiena que não achou piada nenhuma quando deixei preto no branco que "muito riso pouco siso" ou do elefante que me fez uma espera na Gorongoza por eu ter -num pequeno conto, chamado trombudo a um da sua espécie. Mas o meu leitor mais fiel é mesmo um gato. O meu gato. De seu nome Aliá. Devora tudo o que escrevo... desde que tenha em cima da folha A4 um carapau fresquinho. E há dois dias, saltou-me para o ombro quando eu escrevia sobre pombos e uma gaivota. Até os bigodes se lhe riam...
beijinhos e sorrisos.
ainda bem que aqui se instalaram alguns gatos; deram-nos este belo texto!
Um texto de uma ironia deliciosa. Eu adoro escrever sobre gatos!! :)**
Não gosto de gatos. Mas ficaram excelentes neste texto!
um beijo
Para quem não queria falar de gatos, aqui está um grande textos sobre gatos. É caso para dizer : aqui há gato!...
Este gato instalou-se mesmo na página do teu texto.
Um beijo
lembraste-me os gatos do Mário cesariny e Vieira da Silva (desculpa se pareço literária), mas bela é a correspondência.
Um bjo. Temos que dar uma abraço à nossa gata mor.
Magnífico!, como seria de esperar...:)
Beijinho*
Na Linha de Cabotagem há algo para si.
Contra o chame dos gatos, ainda não há antídoto!
Delicioso o que escreves!
Atirei-te uma lança do Menarazzi e pergunto-me se já terá chegado aí...
Nunca escrevi sobre gatos.
Mas tenho um livro sobre um cão.
De qualquer maneira "são criaturas de Deus"
Bjs
Olhem para a carinha do bichano e meditem. Vá, façam um esforço e olhem mesmo!
(Cuidado! Atenção! Devem fazê-lo numa imagem nunca num gato real que pode sentir-se ofendido.)
Passei muito tempo, quero dizer MUITAS HORAS, a olhar para o rosto dos bichanos.
Convivo com muitos gatos, dezenas. Vão e vêm; entram passam e saem; estão nas nossas vidas sem estarem enjaulados nelas.
É difícil falar em gatos no plural. Cada gato é um gato. Digamos, cada gato é uma pessoa. De certo modo, nós, humanos, parecemo-nos com eles. Há indivíduos humanos que são pessoas.
É mais fácil fazer um romance com pessoas felinas do que com seres humanos. Fornecem quantidades de caracteres de excelente qualidade, escalas de emoções de impressiva acuidade, sentimentos profundamente calmos e paixões explosivamente violentas, pensamentos profundos e cogitações etéreas, muita acção no dealbar e na alvorada e muito sono na pacatez do sol alto.
... São uns queridos!
Espectacular, Licína. A tua imaginação é fabulosa e nunca, mas nunca, pára de me surpreender.
Beijos.
Gatos...imprevisíveis nas nossas vidas!
Delicioso.
Que gatinho tão mimoso, tão peludo, tão fofinho. Também há pintores de gatos? Tipo hairstylists? Estou a ver os tigrinhos do Rodrigo todos pintados de violeta, azul, etc. Trouxe agora uns colorantes de Tokyo à base de papaia e sem amónia muito cool. Quando os comprei era para fazer uma surpresa ao Rodrigo. Mas agora é que ele vai ter uma surpresa a sério. Como é que consigo ser tão marota, não é o que estás a pensar, querida Licínia? É que fiz o meu doutoramento em sexto sentido e agora estou a fazer o pós doc no sétimo. Que nice!
Beijiiinhos.
Como deixar de falar de uma paixão?
O teu texto é exemplar!
Uma ironia que dança no pelo do gato e no olhar de quem pretende ser, talvez, astuto...
BJ ;))
delicia de sítio pra se sentar um poema.
Adorei o poema do gato e vim pelo link da Maria Carvalhosa. Outras falas.
Deixo-te aqui mais um gato
http://fogonapalha.blog.com/2006/10/
Já cá vi a Alice. Vou favoritar e espreitar melhor depois. Ah, a música não consigo ouvir
Só tenho duas palavras: ge nial!
Beijo
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