20.2.21

IMAGINAÇÃO

 


Escusas de chamar por mim.

Hoje não estou para ninguém.

Podes gritar que eu não te oiço.

Faço de conta que fiquei surda de repente.

A campainha da porta não para de tocar

ou são os ecos de toques passados

que hoje se lembraram de soar.

Não vou abrir.

Mesmo que quisesse não podia.

Mudaram a fechadura e eu distraída deitei fora a chave.

Não atendo o telefone ou se atender digo

enganou-se no número aqui não mora ninguém.

Se tocares de novo eu desligo.

Se chamares da rua eu sei que não é comigo,

nunca tive aquele nome.

Dantes havia o quadro preto na parede.

A giz alguém escreveu a tua história, a minha.

Isso sou eu a imaginar uma história que ninguém escreveu,

num quadro preto que nunca foi pendurado

na parede que não havia.

Foi a imaginação que criou este dia

em que não estou para ninguém

como se alguém não parasse de chamar por mim.


Licínia Quitério

2 comentários:

Graça Pires disse...

Mesmo imaginativo, minha querida Amiga.
Cuida-te bem.
Uma boa semana.
Um beijo.

bettips disse...

VEM. Devagarinho mas vem. O poema do sítio espera que a gente o leia.
Um abraço amigo, nosso.
B & M

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