4.1.12
2.1.12
CLARISSE E OS ÁLBUNS
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:31:00 p.m.
2
comentários
26.12.11
CLARISSE E OS ÁLBUNS
17. Foram os anos insidiosos nas páginas do álbum de lombada doirada. Entraram, um a um, pelas pequeninas frestas entre as folhas, e ajustaram contas com as cores. Como um vento desatinado que tivesse mudado as coisas, os lugares, as gentes, dando-lhes outros poisos, outros tons, outros tempos. Uma peça de teatro com um encenador enlouquecido que da tragédia fez comédia e deu grandeza ao vilão e sonho ao imbecil. É por isso que Clarisse não consegue lembrar-se em que céu aconteceu o voo triunfante do pássaro branco de peito negro. Talvez no céu azul da terra quente em que se deitava de costas no pino do verão. Afundava os pés na areia de oiro, as pernas dobradas pelo joelho, e cavava pequenas crateras circulares, com as mãos espalmadas, até que o chão as cobrisse até aos pulsos. Clarisse gostava de se pensar planta a enraizar terra dentro, firme, muito firme, tranquila na imobilidade vegetal que desejava. Poderia bem ser a terra das casas baixinhas e azuis, agora mais azuis, esquecidas da brancura dos dias felizes. Encurvados os telhados, encurvados os dias de Clarisse, intacta apenas a curva do olhar. No ano que chegar, Clarisse há-de com ele encetar desafios na busca de retratos que o vento não tenha violado. Assim permaneça na beira do tanque, à tardinha, a rola de peito róseo a que falta uma asa.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:12:00 p.m.
5
comentários
19.12.11
CLARISSE E OS ÁLBUNS
partilhado por
Licínia Quitério
às
3:20:00 p.m.
6
comentários
13.12.11
ERA UM TEMPO DE MULHERES
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:47:00 p.m.
5
comentários
6.12.11
DÊEM-ME
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:43:00 p.m.
10
comentários
1.12.11
GRAÇA
partilhado por
Licínia Quitério
às
8:24:00 p.m.
9
comentários
24.11.11
MAIS DO QUE BRISA
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:47:00 p.m.
8
comentários
19.11.11
TANTAS VEZES SUBIMOS
partilhado por
Licínia Quitério
às
1:54:00 p.m.
7
comentários
8.11.11
AH QUE BONITO
partilhado por
Licínia Quitério
às
10:51:00 a.m.
10
comentários
31.10.11
PODES PEDIR-ME UM BEIJO
Podes pedir-me um beijo nos dias de escarlate
quando as trepadeiras sangram
e eu visto a leveza dos vinte anos e dos outros
que decidimos guardar para não morrer.
Sabíamos que tudo havia de passar -
os muros, a trepadeira, o coro das velhas pela noitinha,
a tua mão pedindo a minha no declive da serra,
na ameaça do tojo.
Continuámos a desbravar ruínas,
a construir palácios de ninguém,
a apregoar unguentos,
que as feridas não soubemos afastar.
Breve foi o tempo, grande foi o lugar,
saudosa a guerra que ninguém perdeu,
amor menino que não envelheceu.
A trepadeira vive, o meu vestido é leve.
Nenhum beijo tem mais de vinte anos.
Digo-te sim nos dias de escarlate.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:07:00 p.m.
8
comentários
25.10.11
POSSO ESCREVER
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:14:00 p.m.
7
comentários
17.10.11
ENTRANÇA AS MÃOS
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:31:00 p.m.
9
comentários
12.10.11
INFORMAÇÃO
partilhado por
Licínia Quitério
às
9:38:00 a.m.
2
comentários
11.10.11
A PERFEIÇÃO
partilhado por
Licínia Quitério
às
10:02:00 a.m.
7
comentários
2.10.11
SABER O MAR
partilhado por
Licínia Quitério
às
2:59:00 p.m.
7
comentários
28.9.11
QUANDO NASCE UM POEMA
Quando nasce um poema
nasce com ele um mundo de paisagens
absurdas com florestas de gelo e
frutos palpitantes. E as gotas
de água de um amor antigo a refrescar
desertos. Um poema é um microcosmo
de ternura e de raiva, de mel e azedia,
de paixão ardida e renovada. Se cor
tem o poema nunca foi nomeada. Se
forma tem é a de um anjo ou melhor
a das asas que o anjo perdeu.
Ao certo só sabemos que o poema
nasceu quando um pássaro canta ou
um homem desperta e se levanta.
partilhado por
Licínia Quitério
às
11:37:00 p.m.
7
comentários
22.9.11
HÃO-DE TOMBAR OS FRUTOS
partilhado por
Licínia Quitério
às
2:51:00 p.m.
7
comentários
18.9.11
TUDO É POSSÍVEL
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:20:00 p.m.
4
comentários
17.9.11
AS TORRES
partilhado por
Licínia Quitério
às
10:49:00 a.m.
4
comentários
12.9.11
CANSADO DA SUPERFÍCIE
Cansado da superfície assim dizia o homem em manhãs bafientas da estação. Tardam as notícias do fundo onde se prendem gritos e vontades e os peixes dormem com os olhos abertos dos esfomeados. Dizia brancas mãos o homem e chorava como choram os homens na vastidão dos seus lagos interditos. Não será hoje o dia de cortar as águas que a faca da memória ainda sangra. Homem, as brancas mãos virão. No fundo, os peixes dormem. Licínia Quitério |
partilhado por
Licínia Quitério
às
10:10:00 a.m.
5
comentários
3.9.11
FOI NO TEMPO
partilhado por
Licínia Quitério
às
1:30:00 p.m.
9
comentários
29.8.11
O BALANÇO, O BALOIÇO
para cá, para lá,
vai acima, vai abaixo,
corre corre, para para,
sobe agora, desce logo,
tem cautela, sem temor,
lá ao longe, aqui ao pé,
foge foge, fica fica,
não te largues, salta agora,
fecha os olhos, abre a boca,
porque gritas, porque cantas,
tantas vezes, quantas vezes,
olha o chão, olha as estrelas,
e o menino, qual menino,
já não é, já não se lembra,
foi pequeno, foi maior,
subiu subiu, desceu desceu,
e o balanço e o baloiço
vai acima, vem abaixo,
para a frente, para trás,
mais depressa, devagar,
e a menina, qual menina,
já não é, já lá não está,
foi acima, foi abaixo,
foi ao céu, caíu ao chão,
correu correu, chorou chorou,
e o baloiço e o balanço
já não sobe, já não desce,
e o menino não voltou
e a menina não voltou,
e o baloiço lá ficou.
Foi a sorte que mandou.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
4:54:00 p.m.
8
comentários
23.8.11
TIVE ENCONTRO
partilhado por
Licínia Quitério
às
8:03:00 p.m.
7
comentários
17.8.11
SE AGORA
partilhado por
Licínia Quitério
às
11:26:00 p.m.
10
comentários
12.8.11
OS PENSAMENTOS
Os pensamentos do homem
fazem germinar objectos.
Antes da cadeira existir
já o homem se sentava
e fabricava os pensamentos,
a desenhar letras de fumo
na imobilidade do tecto.
Os olhos entrançavam danças rápidas.
Depois paravam e dir-se-ia um vapor
de saudade o que escorria pelos braços
que um dia seriam da cadeira.
Ainda que um cachimbo se demore
na bainha dos lábios, o homem dirá,
pelo canto da boca, as dimensões ideais
do seu antigo, único projecto.
Por ele ali chegou, ao lugar onde é possível
afirmar: loucura é nome de pássaro
na seara da noite.
Disse
e o carrossel de estrelas acendeu-se.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
3:39:00 p.m.
9
comentários
6.8.11
OS HOMENS PLANTARAM
Os homens plantaram os cedros e disseram: Nós saberemos o vosso tempo de crescer. Sereis os guardiões do vento e dos olhares indesejados. Não ficareis doentes nem morrereis sem nossa ordem. Ser verdes e fortes é o vosso labor e o cumprireis. Aceitareis os nossos excessos e não direis da vossa estranheza. Não dareis asilo a aves palradoras. Jamais quebrareis a mudez e o alheamento. Para nosso deleite, tereis frutos pequenos e olorosos. Não penseis em deitá-los à terra, pois os arrancaremos. Obedecer é o vosso destino, o vosso inestimável conforto. Imperturbáveis, os cedros. Dir-se-iam felizes os súbditos verdes dos homens cinzentos. Não se entende porque apareceu uma rede entre os cedros e os homens. Há quem diga que os protege da mudez absoluta dos cedros.
partilhado por
Licínia Quitério
às
5:08:00 p.m.
7
comentários
1.8.11
QUE SABES TU
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:15:00 p.m.
8
comentários
25.7.11
QUANDO OS MUROS
partilhado por
Licínia Quitério
às
12:54:00 p.m.
8
comentários
19.7.11
ENCOLHES OS OMBROS
partilhado por
Licínia Quitério
às
1:06:00 p.m.
9
comentários
12.7.11
NAQUELA HORA
partilhado por
Licínia Quitério
às
4:45:00 p.m.
12
comentários
28.6.11
VOLTAR
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:11:00 p.m.
12
comentários
21.6.11
VAMOS SUBIR
partilhado por
Licínia Quitério
às
9:50:00 p.m.
8
comentários
15.6.11
DEVORAS-ME
partilhado por
Licínia Quitério
às
5:05:00 p.m.
7
comentários
arquivo
-
►
2025
(37)
- dez. 2025 (3)
- nov. 2025 (3)
- out. 2025 (3)
- set. 2025 (5)
- ago. 2025 (4)
- jul. 2025 (1)
- mai. 2025 (4)
- abr. 2025 (2)
- mar. 2025 (5)
- fev. 2025 (3)
- jan. 2025 (4)
-
►
2024
(40)
- dez. 2024 (1)
- nov. 2024 (2)
- out. 2024 (4)
- set. 2024 (3)
- ago. 2024 (7)
- jul. 2024 (4)
- jun. 2024 (5)
- mai. 2024 (4)
- abr. 2024 (1)
- fev. 2024 (5)
- jan. 2024 (4)
-
►
2023
(9)
- out. 2023 (1)
- set. 2023 (1)
- jul. 2023 (1)
- abr. 2023 (1)
- mar. 2023 (3)
- fev. 2023 (1)
- jan. 2023 (1)
-
►
2022
(18)
- out. 2022 (3)
- set. 2022 (2)
- jul. 2022 (3)
- jun. 2022 (5)
- mai. 2022 (2)
- abr. 2022 (1)
- mar. 2022 (2)
-
►
2021
(29)
- dez. 2021 (3)
- nov. 2021 (2)
- out. 2021 (5)
- set. 2021 (9)
- ago. 2021 (5)
- fev. 2021 (1)
- jan. 2021 (4)
-
►
2020
(31)
- dez. 2020 (3)
- nov. 2020 (3)
- out. 2020 (1)
- set. 2020 (3)
- ago. 2020 (2)
- jul. 2020 (1)
- jun. 2020 (4)
- mai. 2020 (2)
- abr. 2020 (3)
- mar. 2020 (1)
- fev. 2020 (5)
- jan. 2020 (3)
-
►
2019
(26)
- dez. 2019 (3)
- nov. 2019 (3)
- out. 2019 (3)
- set. 2019 (3)
- ago. 2019 (2)
- jul. 2019 (3)
- jun. 2019 (1)
- abr. 2019 (2)
- mar. 2019 (3)
- fev. 2019 (1)
- jan. 2019 (2)
-
►
2018
(41)
- dez. 2018 (4)
- nov. 2018 (3)
- set. 2018 (3)
- ago. 2018 (1)
- jul. 2018 (4)
- jun. 2018 (7)
- mai. 2018 (3)
- abr. 2018 (4)
- mar. 2018 (2)
- fev. 2018 (4)
- jan. 2018 (6)
-
►
2017
(56)
- dez. 2017 (5)
- nov. 2017 (3)
- out. 2017 (3)
- set. 2017 (4)
- ago. 2017 (5)
- jul. 2017 (5)
- jun. 2017 (3)
- mai. 2017 (6)
- abr. 2017 (5)
- mar. 2017 (4)
- fev. 2017 (4)
- jan. 2017 (9)
-
►
2016
(46)
- dez. 2016 (7)
- nov. 2016 (7)
- out. 2016 (4)
- set. 2016 (4)
- ago. 2016 (1)
- jul. 2016 (4)
- jun. 2016 (5)
- mai. 2016 (6)
- abr. 2016 (1)
- mar. 2016 (1)
- fev. 2016 (2)
- jan. 2016 (4)
-
►
2015
(50)
- dez. 2015 (5)
- nov. 2015 (2)
- out. 2015 (3)
- set. 2015 (4)
- ago. 2015 (5)
- jul. 2015 (5)
- jun. 2015 (5)
- mai. 2015 (4)
- abr. 2015 (7)
- mar. 2015 (6)
- fev. 2015 (2)
- jan. 2015 (2)
-
►
2014
(60)
- dez. 2014 (4)
- nov. 2014 (5)
- out. 2014 (4)
- set. 2014 (4)
- ago. 2014 (5)
- jul. 2014 (6)
- jun. 2014 (5)
- mai. 2014 (7)
- abr. 2014 (3)
- mar. 2014 (7)
- fev. 2014 (4)
- jan. 2014 (6)
-
►
2013
(48)
- dez. 2013 (5)
- nov. 2013 (3)
- out. 2013 (5)
- set. 2013 (5)
- ago. 2013 (7)
- jul. 2013 (4)
- jun. 2013 (5)
- mai. 2013 (3)
- abr. 2013 (1)
- mar. 2013 (3)
- fev. 2013 (3)
- jan. 2013 (4)
-
►
2012
(52)
- dez. 2012 (4)
- nov. 2012 (4)
- out. 2012 (6)
- set. 2012 (2)
- ago. 2012 (4)
- jul. 2012 (6)
- jun. 2012 (4)
- mai. 2012 (4)
- abr. 2012 (4)
- mar. 2012 (4)
- fev. 2012 (5)
- jan. 2012 (5)
-
►
2011
(60)
- dez. 2011 (5)
- nov. 2011 (3)
- out. 2011 (6)
- set. 2011 (6)
- ago. 2011 (6)
- jul. 2011 (3)
- jun. 2011 (5)
- mai. 2011 (7)
- abr. 2011 (4)
- mar. 2011 (8)
- fev. 2011 (3)
- jan. 2011 (4)
-
►
2010
(54)
- dez. 2010 (4)
- nov. 2010 (3)
- out. 2010 (5)
- set. 2010 (5)
- ago. 2010 (5)
- jul. 2010 (3)
- jun. 2010 (9)
- mai. 2010 (4)
- abr. 2010 (5)
- mar. 2010 (3)
- fev. 2010 (4)
- jan. 2010 (4)
-
►
2009
(54)
- dez. 2009 (3)
- nov. 2009 (3)
- out. 2009 (3)
- set. 2009 (5)
- ago. 2009 (4)
- jul. 2009 (7)
- jun. 2009 (4)
- mai. 2009 (5)
- abr. 2009 (3)
- mar. 2009 (6)
- fev. 2009 (5)
- jan. 2009 (6)
-
►
2008
(55)
- dez. 2008 (6)
- nov. 2008 (5)
- out. 2008 (5)
- set. 2008 (4)
- ago. 2008 (4)
- jul. 2008 (4)
- jun. 2008 (5)
- mai. 2008 (5)
- abr. 2008 (5)
- mar. 2008 (4)
- fev. 2008 (4)
- jan. 2008 (4)


