
Ensaio de foto dedicada a esta amiga e a este amigo
Responder à chamada
de quem nos fala de água
e afogar os demónios
das estradas da noite.
Bonito é caminhar
sobre as memórias
dos pássaros de fogo
que é como quem diz
de mãos abertas e trementes.
Obrigar as tábuas do soalho
a devolver os cheiros
das ceras e das danças
e do suor libidinoso e casto
de antigas madrugadas.
Redescobrir a fonte dos amores
quase a desmoronar
com a falésia.
Dizer bom-dia.
Continuar em frente.
Um pé em terra firme
o outro na maresia.
Há quantos anos estais aí, portões, muros, caminhos arenosos que escondeis calhaus rolados? A resposta não vem. Porventura a pergunta não devera ser esta. Tento outra: Quantas gaivotas vos sobrevoaram a ensaiar os voos picados sobre cardumes que daqui se avistam? De novo o silêncio.
Desisto e continuo a jornada. Olho os meus pés doridos e indago: Há quanto tempo aqui vos trago? Responderam: Pela primeira vez hoje vieste.
Mentiram, mas ensinaram-me a continuar. Só assim poderei aprender a perguntar.
Licínia Quitério



















