5.5.16

DIA A DIA



O dia a dia é um vulgar objecto
O charco a afogar os pés ou
A nuvem encostada à imaginação
A força nos braços ou os braços sem força
O carro que desce a rua ou o velho que a sobe
O dia a dia é o que passa diante dos meus olhos
E mais o que passa por dentro deles
E o que invento e faço e desfaço
Sem sair do lugar sem contar
A usura dos dias
E o dia a desfilar
Mais um dia outro dia
A somar a somar

15.4.16

GOSTO DE VÊ-LOS




Gosto de vê-los em bandos
à saída aulas.

Às vezes param para se beijarem,
ou tocam às campainhas das portas
e fazem de conta que não foram eles.
Têm a infância mal fechada nas mochilas
e um homem ou uma mulher a chamá-los
do lado de fora do corpo.
Cresceram mais do que os pais,
sabem coisas que os pais nunca souberam,
querem coisas que os pais nunca quiseram.
vivem num mundo que os pais nunca sonharam.
Uns centímetros mais e voarão
e já não passarão na minha rua

em bandos 
à saída das aulas.

Licínia Quitério

21.3.16

AS SEMENTES


Cansada sou da superfície.
Pode o poço secar.
Eu puxo a corda e espero.
O balde retorna à minha mão.
Pode o poço secar e então? O balde
É que me traz notícias da fundura.
Aqui em cima tudo desistiu.
Já ninguém tenta a travessia.
Lá em baixo há o cofre das sementes
Em sossego até que o corpo
Da demência se desfaça.
Daqui da superfície
Eu vou puxando a corda
Que me liga ao balde
Que me traz notícias
De areias secas
De sementes dormentes
Pacientes.

Eu espero.

Licínia Quitério

12.2.16

APAGA A LUZ


Apaga a luz, meu amor.
É de noite que as farpas da memória

nos trazem as rosas que tombavam 
nos quintais da infância,
esses eternos, imutáveis quintais
com muros que aprendemos a transpor,
a iludir os cães de guarda,
fiéis a seus donos infiéis.
Apaga a luz, deixa a noite 
escrever na almofada dos sonhos
os seus contos de fadas
que salvavam dos mares e da metralha
os corpos enjeitados
e os vestiam de brilhos e carícias
e lhes chamavam príncipe, princesa,
que os nomes de homem e mulher
se tinham afogado na viagem.
Não tardes, meu amor,
apaga a luz da rua, fecha a porta,
entra na noite, pensa em mim
como se fosse barca a navegar
no rio do esquecimento,
ao sabor da corrente, 
com a mansidão das aves
e o veludo dos limos.
Dorme. Deixa que passe
este tempo de hienas,
esta devora de inocentes,
esta mentira de capote de oiro.
Quando acordares talvez os homens
já tenham descoberto 
o princípio do mundo,
de outro mundo.
Dorme.

Licínia Quitério





6.2.16

A SECA



Em tempo de sequeiro não há chuva 
que alimente as fontes.
Tão funda a sede 
que nunca a areia se faz lama.
Não há dor, não há distância 
que os olhos humedeça.
Somos casca de árvore 
que lume algum afronta.
Ouvem-se ao longe ladainhas 
de palavras roucas.
Nossas bocas inúteis e o pássaro 
tombado no portal.
Nem toda a fome mata.
Toda a guerra seca.

Licínia Quitério

28.1.16

UMA VARANDA


Há uma varanda sobre o tempo
onde debruço os meus espantos

de haver serras, vales e o casario
feito de pedra e ausência.
É uma longa varanda de silêncio
aberta à novidade e à tradição
com que um país se faz e se desfaz.
A varanda tem um livro que se lê
ao despertar dos dias quando o sol
ganha altura e incendeia e os olhos
inundados recuperam do berço
ternuras maternais.
Varanda atenta às tardes, 
escudo de ventos, esteira de sossego,
e o livro aberto  a convocar 
memórias de invasores 
que de amores se perderam
pelas rubras mulheres,
pelas águas tentadoras.
Ao desdobrar da noite podem acontecer 
mistérios, nebulosas,
ou o trote louco dos cavalos.
Pode também acontecer que a varanda,
rendida à vibração nocturna, se recolha,
feche o livro e os homens adormeçam 
enquanto estrelas nascem,
estrelas morrem.

Licínia Quitério

14.1.16

MADRUGADA


Inefável a luz da madrugada
a convocar memórias
de terras nunca vistas

Os olhos arrasados
a tentar abarcar
a transfiguração 
Nas ramadas mais altas
avistam-se fulgores
cintilações de pássaros
Sonolentos os homens
de esperança no bornal
a encetar o dia
Um navio de espuma
atravessa a distância
do coração do homem
ao coração da terra
Com seu esplendor divino
aurora se apresenta
enfeitiça deslumbra
mansamente se esvai
No ar persiste o cheiro
das queimadas
A névoa sobre o rio
é um véu de bondade
a amaciar tristezas
Já os homens caminham
em direcção ao sol
Amanhã voltarão
de novo partirão
mais uma vez e outra
e a madrugada espreita
tremeluzente 
eternamente nova

Tão breve o que é perfeito
Tão demorada a noite

Licínia Quitério

5.1.16

PRENDO-ME


Prendo-me no ensaio desajeitado de ternuras
quando as gotas de chuva se desatam
nos vidros da manhã e a música da terra
se adivinha em pétalas de flores.
Os raros transeuntes deste dia têm
um jeito húmido de andar, uma moleza
envergonhada, ou são meus olhos
lentos de acordar.
Quem me dera notícias de alegria
atravessassem a rua do meu sonho
e a chuva fosse a embriaguez do vinho,
o carinho da mão a amortecer a dor,
a suave liquidez do adormecer.
Deste jeito será a paz com que me vivo, me prossigo.

Licínia Quitério

1.1.16

PASSAM PONTES

Passam pontes e pontes, 
sobre pálidas águas, terras ásperas. 
Imóveis quase sempre as pedras.
Frágeis pontes do princípio dos dias.  
Atravessam os anos e escurecem 
as pontes do ocaso, trémulas. 
Carregam as pontes, abatem os arcos, 
passam a dizê-las imprestáveis. 
Uma margem, outra margem e eles 
indecisos, entre a fome e a fome.
Há quem se atreva à travessia
em busca de razão e nem a ilusão vá encontrar.
Ficar pode ser um destino, partir é fugir dele. 
Se ponte não houver, a nado vão ou morrem.

É isto o que sabemos dos escravos
de novo em movimento, torpedeando
os pontos cardeais, chamando norte
ao que o norte perdeu, negando o sul
que depois de os parir os abusou.

Licínia Quitério   

23.12.15

TREM DE PASSAGEM


De passagem vamos, neste trem de ferro, 
a engolir paisagens, casas, 
terras que não guardam casas.  
Casas a espreitar os rios. 
Rios que estreamos,  rios que se mostram, 
rios que sabemos e se ocultam.  
Pontes sobre abismos.
Provocadores abismos, 
pavorosamente atraentes, 
brevemente apagados.
De corrida vamos, neste trem 

de partidas e chegadas. 
E as paralelas a guiarem-nos. 
E o trem obediente, coleante, 
bamboleante.  
Uma vontade de ficar, colado ao vidro, 
o vidro colado ao ferro, o ferro 
a correr no outro ferro, e nós 
a entontecer, a paisagem desfocada,
a vontade quebrada, a mão 
abandonada sobre o sono. 
O trem que vai, o trem que vem, 
que vai, que vem. 
Que vai.

Licínia Quitério   

18.12.15

ANJOS



Os anjos são assim. 
Bonacheirões, alados, 
rechonchudos, doirados. 
Pairam, espreitam, sorriem. 
Podemos avistá-los numa dobra 
da tarde, num adejar de pomba, 
por entre cortinados. 
Silenciosos, falam-nos. 
De olhos fechados, olham-nos. 
Imóveis, perseguem-nos. 
Neles revemos a bondade, 
o sossego, a leveza, 
a protecção na queda, 
o impulso na subida. 
Rimo-nos, e é de nós que rimos 
ao dizer que os anjos não existem. 
Calamos o desejo de acreditar em anjos, 
serenos, dadivosos, ternos. 
Dizemos anjo e pensamos homem, mulher, 
livres, férteis, sem dor e sem culpa, 
angelicais, apaixonados, 
tremendamente humanos.


Licínia Quitério

17.12.15

ÀS VEZES A GENTE VAI

Às vezes a gente vai
Há fumos que se levantam
Mas logo um sol nos desperta
E numa pedra embarcamos
Até ao rio de frescuras
Que noite fora lembramos







Licínia Quitério

6.12.15

A COR



Como se a cor da ternura
fosse céu ou fosse chão
e o fim do dia me desse
uma pena em cada mão
Licínia Quitério

2.12.15

BEIRA-RIO

Digo-te daqui da margem deste  rio
O sabor novo das papoilas
Como quem diz pequenas alegrias
E as atira ao despertar
Dum tempo de dormentes

Não serão rubras as papoilas
Que o longo sono as transformou
Lhes deu gargantas
Onde esconder os gritos
Onde ensaiar declarações
de amor e resistência

Mais te queria dizer
Mas o leito deste rio ainda sofre
As feridas da secura
Nos anos dos peixes velhos
Carnívoros medonhos

Digo-te das papoilas
do rio
Do sofrimento deste rio
Da grandeza deste rio

Digo-te 
Companheiro
Mergulhar bem fundo
Voltar à linha de água
Dizer que se é papoila
Vale a pena

É o que assusta os peixes
carnívoros medonhos

É o que te digo hoje
Daqui da beira rio
No meu dizer redondo
e imperfeito

Licínia Quitério

13.11.15

NOVO LIVRO


2.11.15

ENTRO NA TARDE


Entro na tarde devagar como na casa 

ou em corpo ou terra mansa.
Caminhar até liquefazer a pedra, 

até o choro ser igual à renda, igual à pluma.
Convocar os anjos subterrâneos, 

sabê-los a adejar, a iluminar as nuvens.
Quando entro assim na tarde, penso 

castelos que já possuí e derrubei, 
no excesso branco das manhãs.
Levantado o ferro, ignorado o fosso, 

vencidos os canhões e as correntes, 
entro na tarde com os meus pés de cera, 
nela me deito e corro e grito e voo.
Um cavalo relincha nas alturas, 

espantado pelo pasto novo que só a tarde cria.
Tudo isto eu inventei porque alguém 
me ensinou a entrar na tarde como se fosse casa. 
De corpo ou terra mansa eu aprendi depois, 
quando me achei na esquina do Outono, 
anunciado o Inverno e eu à rédea solta, 
devagar, a adiar a confissão da noite.

Licínia Quitério 

24.10.15

NÃO, NÃO SOU



Não, não sou de rebanhos. Sou de prados.
Desobediência é minha vocação.
Sacio a fome a ver crescer a erva.
Ouvi-la germinar é uma ambição 
que guardo ao invés da pele.
Admiro os pastores e o seu silêncio 
a convocar as flautas.
É negra a minha ovelha favorita, 
a que destoa, a que desfaz 
a moleza e a conformação.
Tresmalhada será do aperto 
da malha que a marcou.
É a mais clara das ovelhas negras.
Ama o pastor mais loiro das arábias.

Partilhamos segredos quando à noite 
saltamos os cerrados e corremos prados 
que ninguém correu antes de nós.

Licínia Quitério 

16.10.15

DOS BARCOS


Digo dos barcos que ali chegam
regressos amarrados nos porões.
Homens-velas contra as despedidas.
Homens-mastros nas pedras do cais,
com os bornais carregados de sal.
No peito dos marinheiros nasce o sopro 
que acrescenta os ventos e os leva de feição.
Homens-água que com ela se entendem ou se matam.
Dos torna-viagens sei que vão e voltam 
e sempre vão com os olhos cravados na proa, 
cavando mares, cavando, até que a popa 
se recuse ao caminho.

O sopro no peito a esmorecer, 
a âncora presa ao fundo, 
o barco parado, o homem calado,
as pedras de sal a contarem os dias da última viagem. 

Licínia Quitério

CELO


O rapaz do violoncelo, melhor, o rapaz com um violoncelo, ou antes, o violoncelo que era um rapaz. Era o braço ou o arco, a cintura ou as ancas do violoncelo onde as mãos do rapaz poisavam, que as mãos do rapaz afagavam, que as mãos do rapaz castigavam.
Na ponta do arco havia uma luz que arranhava a noite, que pintava gritos na escuridão.
Quando o rapaz era pássaro, o violoncelo trinava. Quando o rapaz era dor, o violoncelo gemia. Quando o rapaz era o rapaz, o celo era também o rapaz e o celo-rapaz e o rapaz-celo rodopiavam e o silêncio nascia. Breve silêncio, feito de um amor nascido, de um amor crescido, de um amor à beira de morrer.
Depois, houve o incêndio e a luz na ponta do arco era o perfil de um rosto em labareda. O corpo e o celo ganharam outras formas e partiram, a cavalgar gorjeios e soluços.

Assim se faz a mansidão das noites dos rapazes de lume que por vezes são arco e dão o corpo ao celo, e de quem se diz, no chão da indiferença – “Não era mais do que o rapaz do violoncelo”.

Licínia Quitério 

29.9.15

HAVIA UMA CASA


Havia uma casa. 
Houve o chamamento da casa. 
Da casa ou da falésia em que se reclinava a casa. 
Diferente de todas as casas. 
Antiga como as mais antigas grutas. 
Nova, muito nova, inacabada, ainda.
Desabitada, a casa. 
Linhas rectas definiam-lhe o telhado, 
as paredes, as portas, as janelas, tudo. 
Não me lembro se havia vértices, arestas. 
Era um correr de linha pura, a assinalar a casa. 
Sei da praia onde encontrei a casa, 
sei da falésia, sei do rochedo mar adentro, 
pronto a navegar, solto, sozinho. 
Sei dos estalidos das pedras sob os pés, 
do breve desequilíbrio. Ai o mar 
a espraiar-se, a rir-se, desabrido.
Como pode uma casa como aquela 
ter desaparecido? O rochedo lá vai, 
mais longe, mais pequeno. 
Da casa construída, apenas a lembrança. 
A outra, a sem arestas, sem ninguém, 
voltou a ser o ocre da falésia, 
a aspereza da falésia, 
a altivez da falésia. 
Houve uma vez, houve um dia, 
de nascer uma casa, perfeita, 
como todas as casas provisórias, 
inacabadas, desabitadas, 
que recuperam seu estado de falésia, 
quando deixamos de as olhar. 
Olhar é construir a casa, soltar o rochedo, 
dar e tirar os nomes. Não olhar é apagar. 
Foi por isso que a casa perfeita, visível, desistiu.
Licínia Quitério

26.9.15

VAMOS


Olha-me, de olhos fechados, para melhor me veres. 
Toca-me, como se eu fosse de barro e pudesse quebrar.
Fala-me, baixinho, que ainda não é dia na casa de orações.
Dá-me o teu manto que eu dou-te a minha pele.
Pega-me, que tu és pai e mãe e eu sou filho.
Leva-me para longe desta terra ingrata.
Deixa as jóias, as facas, as máquinas da fome.
Atreve-te ao grande mar de enganos.
O mundo inteiro está à nossa espera e nos receia.
Entre o ir e ficar, entre a morte e a morte, vamos.
Se formos sempre em frente, voltaremos,
porque a Terra é redonda, sabem os voadores.
Olha-me, toca-me, fala-me, leva-me
para lá das farpas, para lá do medo, ao país
que restou e onde se diz haver uma mulher
e um homem 
e um filho desejado
por nascer.

Licínia Quitério

16.9.15

UM ACENO




Bastava um aceno
e as águas se fariam berço
e à tona os acossados viveriam
até os barcos aportarem

Outro sinal 
e na praia se abririam
mil braços de mulheres 
iluminados
candeias archotes relâmpagos
contra a noite
e o pavor das feras
Homens viriam 
trajados de deuses
aqueles deuses bons 
que tocam os irados
e os vestem de ternura
E a terra a abrir-se em estrada
e as farpas agora seda
agora bálsamo
e um cântico a erguer-se
à vida prometida

Um aceno bastava
e a dor morreria
Uma pequena luz
a perfurar a treva
a rasgar o deserto 
a acender estrelas
uma a uma
e os homens a caminho
e as mulheres a caminho
em sossego as crianças
o suave silêncio
a resgatar o estalido da bomba
o silvo da serpente
o horror

Um aceno um sinal bastava 
ou talvez não

Licínia Quitério

8.9.15

SE TODAS FOSSEM PURAS


Se todas fossem puras, as águas,
as de beber, as de banhar,
se todas fossem só uma molécula e mais duas,
se fossem todas transparência, luz da noite, 
pele de menino,
e mais,
se eu as tivesse na minha janela, ao despertar,
e nelas me deitasse, a adormecer,
se todas fossem inocência e asa,
quem sabe eu me perdesse
e meus olhos cegassem
e não vissem as outras,
as águas de chorar, 
as de inundar e devastar,
as de matar aqueles que em seu colo se atrevessem,
e tarde, muito tarde percebessem
que há águas de morrer.

Licínia Quitério  

30.8.15

DOLOROSOS OS TEMPOS



Dolorosos os tempos da cobiça
do oiro nos filões, nas profundezas.
O tempo dos homens contados 
à saída da mina como se fossem
vivos, de braços, de pulmões,
de esperanças nunca ditas.
Longuíssimos os dias de escuridão e pó,
no temor da vingança dos guardiões
da terra, a poderosa, a violada.
Após a derrocada, um silêncio
maior reclina-se sobre os campos
onde o escombro sorri ao novo escombro.
A mina guarda os homens que faltam
à contagem, agora iguais ao oiro, à escória,
indiferentes ao pó, ao choro dos vivos,
à maldição dos ogres.
Na paisagem perdura a escrita do abismo.


Licínia Quitério

22.8.15

DO VERÃO


São os transeuntes do Verão. 
Pairam aromas de encontros 
furtivos, excessos irrepetíveis, 
incêndios na diagonal do caminho. 
Vão, num allegro, ma non troppo, 
que a evanescência dos corpos 
atrai uma ligeira febre. 
Todo o desacerto se apaga. 
Arde um fósforo contra a brisa da tarde. 
A intuição diz-lhes: é tempo 
de começar a morrer.
Sentem pressa. 
Vivem.


Licínia Quitério

18.8.15

A MENINA



Eras tão bonita,
menina do acento circunflexo
a fazer de sorriso.
Bonita e sossegada.
Triste não te direi,
que alegre e triste
se fará o teu tempo
de viver.
Do outro lado do vidro,
os teus olhos enormes
eram pequenos 
para tamanho espanto
de crescer.
Deste lado do vidro,
estava eu.
Olhei-te,
decorei-te,
guardei-te no meu livro
de aprisionar infâncias
para não envelhecer.
Não sei ainda
que nome te darei.
Se uma fada madrinha
por aqui passar,
há-de chamar por ti
e, ao ouvi-la, tu responderás:

Esse nome sou eu.

Na sombra dele tu serás.

Licínia Quitério


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