15.6.11
8.6.11
TEM DE HAVER UM POEMA
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1.6.11
UM ESBOÇO
Um esboço, uma pegada, um trilho.
Escada de corda das nossas emoções,
bamboleante vertigem do nosso atrevimento.
Assim se abrem os dias de subir as ruas,
de cumprir as tarefas maiores que as nossas mãos,
de aceitar as árvores cortadas,
os olhos dos velhos, aguados,
a raiva dos despojados,
o silêncio dos culpados,
o ranger dos ossos.
Há ainda um pássaro sobrante
no susto da falésia e notícias
de ramos coloridos nas auroras de gelo.
Um passo e outro passo,
o coração no vento, uma voz alheia na garganta.
A escalada da rua, a construção do dia,
a sagração da vida.
Tudo, ainda.
Licínia Quitério
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26.5.11
NÃO HÁ LUZ QUE NOS BASTE
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20.5.11
Estou presa
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14.5.11
SOU POBRE
Sou pobre. Fui sempre pobre. Serei pobre.
Tenho tudo o que quero. Tive tudo o que quis.
O brilho do ouro incomoda-me. Tenho o sol.
Gosto das peles dos animais enquanto vivos.
Não tenho nada. Não quero ter nada. Tudo é meu.
Tenho os quadros nos museus. Tenho o colar de Nefertite.
Tenho tudo o que as montras me oferecem.
Tenho a relva em que caminho.
Tenho as florestas que conheço e as que inventei.
Tenho todos os países do mundo e poucos visitei.
Tenho a música que compuseram para mim.
Tenho os versos de todos os poetas.
Tenho a amizade que dou e o amor que vivo.
Tenho os olhos de esmeralda da minha gata.
Tenho uma casa do meu tamanho e nela acolho
os pobres e os ricos mais pobres deste mundo.
Não sou dona. Nunca fui dona. Não serei.
Tenho o mar e a maresia.
Sou o que não tenho.
Licínia Quitério
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8.5.11
AS MULHERES
Passaram por mim. As mulheres.
Tinham cantos presos ao pescoço
e respirações de cavalos em fuga.
As mulheres. Quando rezavam
fechavam nos braços os filhos
por nascer. As mulheres. Resistiam
aos invasores com a brancura
do corpo inviolável. As mulheres.
Matavam-se para não morrerem
de vergonha. As mulheres. Dançavam
nas bodas com sangue nos cabelos.
As mulheres. Oferendas traziam
contra a ira antiquíssima dos deuses.
As mulheres. Electra. Antígona. Hécuba.
Bernarda. Adela. Yerma. As mulheres.
As cidades sempre ardem. Os homens
sempre se apunhalam. Os filhos nascem
e morrem. Há luas várias de presságios
vários. As mulheres amam e não há guerra
que as detenha no seu destino de fontes.
Joana, Helena, Isabel, Teresa, Amélia.
Um desfile imparável de subterrâneas
tragédias.
As mulheres.
Licínia Quitério
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3.5.11
TREPADEIRAS
As casas sabem que um dia os animais as deixarão
e também a cal se cansará das pedras.
A solidão das casas é oblíqua, assimétrica,
um registo incongruente de gargalhadas e silêncios.
As pedras sentem o germinar das sementes
na fundura morna das soleiras.
São elas, as sementes, as madres poderosas
das trepadeiras. São as trepadeiras a nova pele,
o abraço, o manto fresco e colorido,
o futuro das casas para além dos seus olhos fechados.
Licínia Quitério
Foto cedida por uma Amiga
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2.5.11
PONTO
lagos crianças descalças.
Estão nos vasos nos jardins nos compêndios
de botânica nos cemitérios. Ponto.
Não são a alegria das noivas a sabedoria
dos jardineiros a dor dos sobrevivos.
São brancas azuis verdes vermelhas amarelas. Ponto.
Não são a candura o céu a floresta
o cio o ciúme.
São minúsculas medianas grandes enormes
extraordinariamente grandes. Ponto.
Não são o grão de talco o saber dos tolos
o amor amado o desejo de voar
o desejo de ser deus.
Vivem sós em cachos em espigas
em chapéus numa só cabeça em chapéus
em cabeças diferentes. Ponto.
Não são a solidão o grupo a cidade
a multidão acéfala a multidão em festa.
São duradouras breves efémeras. Ponto.
Não são a força das mães o amor de verão
a fama dos heróis.
São um pretexto para dar espessura ao texto. Ponto.
Não são letras sílabas palavras.
São flores assim ditas no começo.
Ponto por ponto.
Licínia Quitério
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4:47:00 p.m.
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1.5.11
MAIO
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25.4.11
25 DE ABRIL de 2011
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18.4.11
FOZ
Um rio de securas,
porta aberta ao mar,
desejo forte de onda,
sonho de barcos, de remos,
de velas. Quem lhe dera.
Teve peixes, sim,
de prata pura.
No tempo das raparigas
de bronze e dos rapazes
da jangada,
das bocas das raparigas,
das vozes dos rapazes.
Foi um rio de risos,
de ousadias, de chapéus de flores,
de ninfas e efebos,
de iniciações e descobertas.
Um rio de foz,
sem novas de nascente,
um rio leito
de frescura e ardência.
Era jovem, amado
e as gaivotas poisavam
na sua respiração
de madrugar.
Se o mar de novo entrar
quem sabe brilharão
os dorsos das tainhas
e os chapéus de flores
e os bagos de oiro
voltarão a enfeitar
os risos de outras margens.
Licínia Quitério
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10.4.11
A ÁRVORE
A árvore é tudo o que falta no céu
quando a contemplo.
Quem sabe ela ali estava antes de a desenhar
no meu livro de espantos e ternuras.
Tudo o que eu fizer, árvore,
será com a caligrafia dos teus ramos
bebedores do azul, da altíssima vibração
do azul na névoa das manhãs.
Ninguém conhece o teu perfil
quando os meus olhos te não suportam
ou te desvias do meu corpo.
Os teus braços dizem berço e abraço
ou embaraço de outros braços de susto e perdição.
Por certo em teu redor dançaram maldições,
assobiaram pragas, esconjuros.
Assim fazem os néscios a quem
dá sombra ao verão e lenha ao frio
e poiso às aves de qualquer estação.
Inúteis ameaças.
Em minha nuca a tua seiva escorre.
Árvore que eu invento nunca seca.
Licínia Quitério
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5.4.11
SE EU SOUBESSE PINTAR
Se eu soubesse pintar diria azul em tudo o que tivesse
uma passagem para o mar por mais modesta,
qual semente de linho a acercar-se do rio. Verde
diria os meus olhos nos teus e os teus nos meus,
espelhos de sonhos e batalhas. Vermelho seria
o jeito de dizer a vida em mim e a mesma vida
em ti e o canto dos camponeses, afinado pelas
cigarras, a fabricar a mais produtiva das preguiças.
Havia de ser amarela a escrita do sol a invadir
o quadro, a incendiar de febre esta mão, ignorante,
inábil, incapaz de traçar as marcas do teu rosto
no meu rosto, iguais, exactamente iguais,
às marcas do meu rosto no teu rosto, assim tão
fáceis de dizer num risco só, simples, como as
pequenas gotas do pequeno orvalho das enormes
madrugadas.
Se eu soubesse pintar, quem sabe eu procurasse
o branco que dissesse a casa que habitámos.
Licínia Quitério
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31.3.11
PEDRA A PEDRA
a memória dos tempos. Em Matchu Pichu,
na Grande Muralha, na Grande Pirâmide,
ou em Babel que se diz teve uma torre.
Pedra a pedra, homem a homem, dor a dor,
chicote a chicote, a construção não para.
Mais alto, sempre mais alto, que a terra
é pouca e o céu é vasto. Inventam as escarpas
e sobem-nas, pé aqui pé ali, até ao medo.
Não olham para baixo que a pele da terra
os enfeitiça e no seu ventre há fogo. No topo,
diz-se, um ceptro de oiro a atiçar a cobiça.
Por ele continuam, ferida a ferida, corda a corda,
e as mãos sangrando, e as pedras poderosas
com janelas de sol, medindo luas, predizendo
futuros. Pelas alturas devorados, os homens
não regressam e já ninguém os sabe nomear.
Machu Pichu, Esfinge, Stonehenge, as pedras
essas ficaram e têm nomes. O ceptro de oiro
só o condor sabe onde reluz, mas não o diz,
e os homens continuam, de dor em dor, mais
alto, cada vez mais alto, cada vez mais longe,
até à fraga onde perdem o nome.
Licínia Quitério
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27.3.11
COM TUAS MÃOS
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23.3.11
TÃO ESTRANHA A NOITE
Tão estranha a noite. A noite e os escombros, cicatrizes de diurnos abusos, esconderijos de vigilantes répteis e seus membros renascidos. No meu coração a pele dos muros, alfabeto de povos chacinados no sono acre dos deuses. Cabeleiras vegetais alongam os ombros da noite, encobrem a desistência das pedras, desenham tranças e cabalas. Há homens que acendem luminárias e as põem a vogar na noite. Com elas os espectros e as gargalhadas tracejantes onde não poisam flores. Nos meus olhos a grande lua e os seus presságios de nascimentos fáceis e marés altas e súbitas germinações. Ela me deixa aperceber o recorte do polipódio, verde pela manhã.
Licínia Quitério
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6:51:00 a.m.
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17.3.11
QUEM TE DISSE
Quem te disse, meu amor, mentiu,
Verdade és tu e os teus sentidos, e os teus pressentimentos, e os teus sonhos, e o teu olhar de fera ou o teu olhar de pomba, e os teus cabelos soltos ou os teus cabelos presos, e o teu desejo em fonte ou o teu desejo em fogo,
O resto, os mundos saberão se aconteceu,
Licínia Quitério
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8:40:00 a.m.
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14.3.11
AVISO
QUEM QUISER ADQUIRIR O MEU LIVRO "POEMAS DO TEMPO BREVE" PODERÁ CONTACTAR-ME ATRAVÉS DE
liciniaquiterio@sapo.pt
ESTE É O POST MENOS POÉTICO QUE ALGUMA VEZ PUBLIQUEI, MAS PENSO QUE COMPREENDEM!
MUITO OBRIGADA.
LICÍNIA
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6:44:00 p.m.
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11.3.11
"POEMAS DO TEMPO BREVE"
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2:05:00 p.m.
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9.3.11
AINDA QUE QUISESSSES
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6:30:00 p.m.
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2.3.11
PODIA DIZER-TE
ou a alegria envergonhada das ramadas,
ou as vozes dos amigos esboçando um fado,
ou a nostalgia das bandeiras reclamando pátrias,
ou ainda as casas, sim, as sábias, astutas casas
debruadas de amores e perdições.
Podia até pintar uma aguarela, ou escrever um poema,
ou modelar um rosto, ou compor um adágio,
ou soltar um grito, ou correr, ou saltar,
ou abraçar-te, ou lançar um papagaio de papel
e depois dizer-te: Vês, eu não sei nada. Ou então:
Que queres de mim? Ou (porque não?): Amo-te.
Não podia dizer o coração da terra
nem a esperança fechada nas mãos dos homens
quando sofrem.
Licínia Quitério
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18.2.11
CONVITE
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13.2.11
DEIXEM-ME
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9:31:00 a.m.
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4.2.11
UMA COR
A voz do meu amigo é da cor do canto dos riachos de margens muito antigas, polvilhadas de amoras e silêncios.
A pele do meu amigo é da cor da ardência do deserto e do arrepio da tundra.
O sangue do meu amigo tem a cor dos sonhos dos homens, das estrelas moventes, não cadentes, da respiração dos escravos, ao longe.
Uma cor, duas cores, sete cores, até ao pote de ouro, ao coração da terra, ao bicho cego, ao prenúncio do verde.
Uma cor, uma só cor, a maior, a mais serena de todas as cores, aqui à mão, aqui ao peito.
Uma bandeira contra o negro.
Pobre de quem não sabe
a cor do amor,
igual ao mar
de amar.
Licínia Quitério
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3:27:00 p.m.
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25.1.11
TENS DE SENTIR
tens de acreditar na dança diurna das estrelas.
não terás outra vantagem para o amor.
duvida sempre da perenidade das águas no teu rio,
da persistência da alegria no teu andar de corça.
tens de estar atenta ao calendário das marés
se queres saber a soma dos teus passos.
olha as chagas nos ombros da velhice e,
se vires a fragilidade das perpétuas roxas,
foge da vidraça e espera o riso.
ele há-de passar rente à janela.
depois enrola-o no pescoço e diz
agasalho como se dissesses
recomeçar ou abrir os olhos no primeiro verão.
Licínia Quitério
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5:45:00 p.m.
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18.1.11
A MADRUGADA
De uma asa onde mora o inteiro pássaro.
Espero o vento cor de mel da manhã adulta, povoada de signos e augúrios, a soprar a poalha de amores nascidos no perfume do anoitecer.
Afirmo não saber o gosto das manhãs e sempre me confundir e dizer azul em vez de beijo, sanguíneo em vez de saliva, flor de zimbro em vez de baga, algodão e não canela ou camomila.
Tamanha é a minha esperança na asa, no pássaro novo, na espuma do dia claro, na força do vento morno.
Licínia Quitério
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12:58:00 p.m.
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11.1.11
UM POEMA DE AMOR
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10:25:00 a.m.
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3.1.11
O TEMPO
um tecido um contínuo um tropel
um oceano um buraco uma forma
uma cor um odor uma pele
um allegro um andante um nocturno
um prelúdio uma fuga um vibrato
um da vinci um magritte um azimov
um pas de deux um bolero um trapézio
o pescoço do cisne o olhar do leão
o tronco da sequóia a avenca a lentilha
a aurora boreal o furacão a neve
o desejo o delírio o repouso a vigília
uma esperança um contrato uma sorte
uma espera uma ausência uma morte
Licínia Quitério
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23.12.10
IMAGENS
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19.12.10
AJUDA-ME
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12.12.10
CAVALEIRO TRISTE
Também eu esgrimi contra gigantes
e a minha espada não quebrou
na dureza dos ferros.
O meu cavalo emagreceu
nos pastos sobrantes das batalhas.
Guardo nos olhos a cor do pó
igual a chão e céu.
Nos ouvidos o tilintar das armas
e os urros dos gigantes
nos átrios da loucura.
Se não salvei a pátria
engrandeci o sonho.
Por minha dama resisti
ao medo e à cegueira
e defendi os fracos.
À guerra voltarei se me chamarem
cavaleiro triste.
Gosto de me sentar no campo,
ao pôr do sol,
aqui onde venci gigantes
e o vento se fez pão
e o meu cavalo solitário dorme
e a voz de minha dama ao longe,
dulcíssima,
tecendo para mim o seu cantar de amigo.
Licínia Quitério
Foto da minha Amiga Bettips
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5.12.10
INVERNO
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