13.8.15
7.8.15
LUA
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23.7.15
A MUDANÇA
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19.7.15
AMOR
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14.7.15
OS DEVORADORES
porém ignorantes do fogo que ele via,
desprezam os deuses e as águias.
e dele o oiro da passagem.
Continuam,
os homens abusando.
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12.7.15
O SILÊNCIO
Ainda que não seja domingo, sabes?
O silêncio tornou-se um velho demente
à procura do calendário. O seu hálito
mata as abelhas que se atrevem a zumbir,
ainda que não seja domingo,
nem esta a estação das abelhas.
A mãe do silêncio tem um nome
que só se escreve com o pó
das botas dos tiranos. Este silêncio
pariu um ovo e o ovo pariu um bicho
e o trabalho do bicho é abocanhar
as manhãs de domingo
e não lhe importa que não seja domingo.
O que ele quer é calar o zumbido
de uma abelha que resiste
numa sala de luz,
além,
muito longe do território do silêncio.
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7.7.15
AS LUZES
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30.6.15
ESTE TEMPO
Perigoso este tempo de cardos e chacais.
Tempo de mendigos e assassinos.
Tempo seco e azedo que não alimenta,
não cuida, não cria.
De aves tombadas pelo caçador.
De cães abandonados pelo caçador.
Da gula dos abutres, do escárnio das hienas.
É este o tempo de partir ou ficar,
de perder ou ganhar,
de vergar ou erguer,
de se dar ou se vender.
Tempo sem penumbra,
sem copo meio.
É aviso, é anúncio,
mas os surdos não ouvem,
os cegos não vêem.
É pegar ou largar
neste tempo tão longo, tão breve,
tão audaz e tão néscio.
Outro tempo haverá.
Pode ser amanhã,
pode ser nunca mais.
A gaveta do mel, a gaveta do fel.
Qual abriremos, qual?
Licínia Quitério
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21.6.15
SOLSTÍCIO DE VERÃO
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17.6.15
AO ANOITECER
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8.6.15
DISTÂNCIA
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4.6.15
HUMANO
Nas bermas dos caminhos velhos,
no papel manchado das cartas,
no mofo das gavetas,
no toque do abandono,
no que ainda não sabes,
no que já esqueceste,
na fuga do desejo,
no sabor perdido das amoras,
no odor perdido dos amores.
Morres e revives todos os dias.
Quando o galo canta ao longe,
quando chegam notícias de primaveras,
quando as dores amortecem,
quando um riso atravessa a planície,
quando sobes à árvore com os olhos,
só com os olhos,
e os frutos te adoçam a boca.
És isto,
um corpo vivo
a percorrer o domínio dos deuses,
implacáveis,
insensatos, brutais, amáveis, serenos,
misericordiosos.
Deuses mortais,
eternos.
Humano és tu.
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31.5.15
BRANCO
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23.5.15
O LUGAR
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16.5.15
AS SOMBRAS
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7.5.15
AQUIETA-TE
Ter pressa é não chegar.
Correr, correm as estrelas.
Correm, rodam, rolam, giram,
eternamente giram.
Os universos nascem, morrem,
renascem, continuam,
escrevem enigmas.
Tu corres contra o tempo
e esqueces que só avança
quem sabe o seu lugar na imensidão.
Olha as estrelas.
São tão velozes
que as vês deitadas no silêncio.
Imagina a intrepidez dos sábios,
o sossego dos justos.
Procura a casa onde uma estrela te espera.
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29.4.15
SETE ESTRELO
os que desenham animais,
na compulsão de povoar o céu,
vêem o corpo, a cauda,
adivinham-lhe as patas de bicho maior.
sete luzeiros a adornar a eternidade.
abre rasgões na noite,
adia o sono e a lassidão.
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27.4.15
A CASA
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24.4.15
MANHÃ
Manhã soturna com gato e chuva.
Há muitos anos, era outra a rua, outro o gato.
Logo mais haveria de ser Primavera.
As ruas e os gatos sempre esperam uma nova estação.
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19.4.15
CRAVO
com todas as letras decoradas,
no tempo dos quintais e das amoras.
em trabalhos de verbos, em uniões de nomes.
a fabricarem músicas, arpejos,
melodias,
por vezes gritos, com eco noutro peito,
noutra rua.
um dia escrevi
Cravo
e ele pegou raízes nesta casa.
que a desordem nas letras se instalou.
por mais que as mude,
que as ordene,
ao escrever Cravo, escrevo
Liberdade.
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12.4.15
DO TEMPO BRUTO
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10.4.15
NOVE ANOS
O SÍTIO DO POEMA nasceu faz agora nove anos, num tempo em que eu desbravava caminhos, na pele ainda a marca da cor das olaias, a afastar as silvas das bermas, a erguer a voz para dizer o que na casa morava e eu não sabia. Tenho muita ternura por este lugar virtual, meu caderno de apontamentos de escritas e olhares, fermento de livros que nasceram, porque outro tempo foi vingando, outros saberes de tristeza e alegria, de novidade sempre.
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6.4.15
CAMINHOS
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30.3.15
UM BARCO PRESO AO CABELO
solta.
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27.3.15
EU A ROLAR NA PAISAGEM
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25.3.15
HERBERTO HELDER
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20.3.15
DIA DE ENVELHECER
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16.3.15
É DIA
Nada pode parar esta viagem.
O vento o peito enfuna e faz-se vela.
Entre os dois, um corpo que é sorriso e canto de ninar.
Vai e voga.
Voa.
Não sabe de destino.
Vai, carregado de esperança.
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8.3.15
O FAZEDOR DE PAISAGENS
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15.2.15
NOVO LIVRO
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3.2.15
DIAS DE NADA
Os dias de nada não são de tristeza nem de alegria.
São sem entusiasmo nem decepção.
São só dias de nada, dormentes sem sono, quietos sem espera.
Não são úteis nem inúteis.
Olham a chuva e não se molham.
Pode o vento soprar que não se desalinham.
Existem, apresentam-se, não se demovem da sua nulidade.
Sem os dias de nada não tentaríamos tudo.
Ao menos tentamos.
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