18.7.16
8.7.16
UM RIO
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1.7.16
TORRENTE
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21.6.16
POESIA
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16.6.16
PESSOAS COMO MONUMENTOS
Pedras gastas, fissuras favoráveis
à camuflagem dos líquenes.
A cobertura a ganhar transparências.
Dos antigos vitrais, os estilhaços.
O resto da opulência na prata da bengala.
A pintura manchada do cabelo sobrante.
O bâton mal contido no orlado da boca.
A altivez mantida nas arcadas do olhar.
A abóboda das costas, inclemente, indecente.
O passo irregular das sandálias douradas.
Recusa o derrube, a velha fortaleza.
Junta as pedras.
Caminha.
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15.6.16
O LODO
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10.6.16
OS HOMENS TRISTES
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6.6.16
SUBIR
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27.5.16
AS PEDRAS
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24.5.16
TENS TUDO
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17.5.16
MUDAR O MUNDO
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9.5.16
O VIZINHO INVISÍVEL
Quando poetas se dão a prosas e se traduzem acerca de suas vizinhanças.
É um convite, é um convite.
Licínia Quitério
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8.5.16
NUM VERSO LONGO
a tilintarem nas esquinas
gastas pelos corpos
vivos de manhã
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5.5.16
DIA A DIA
O dia a dia é um vulgar objecto
O charco a afogar os pés ou
A nuvem encostada à imaginação
A força nos braços ou os braços sem força
O carro que desce a rua ou o velho que a sobe
O dia a dia é o que passa diante dos meus olhos
E mais o que passa por dentro deles
E o que invento e faço e desfaço
Sem sair do lugar sem contar
A usura dos dias
E o dia a desfilar
Mais um dia outro dia
A somar a somar
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15.4.16
GOSTO DE VÊ-LOS
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21.3.16
AS SEMENTES
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12.2.16
APAGA A LUZ
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6.2.16
A SECA
que alimente as fontes.
que nunca a areia se faz lama.
que os olhos humedeça.
que lume algum afronta.
de palavras roucas.
tombado no portal.
Licínia Quitério
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28.1.16
UMA VARANDA
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14.1.16
MADRUGADA
Inefável a luz da madrugada a convocar memórias de terras nunca vistas Os olhos arrasados a tentar abarcar a transfiguração Nas ramadas mais altas avistam-se fulgores cintilações de pássaros Sonolentos os homens de esperança no bornal a encetar o dia Um navio de espuma atravessa a distância do coração do homem ao coração da terra Com seu esplendor divino aurora se apresenta enfeitiça deslumbra mansamente se esvai No ar persiste o cheiro das queimadas A névoa sobre o rio é um véu de bondade a amaciar tristezas Já os homens caminham em direcção ao sol Amanhã voltarão de novo partirão mais uma vez e outra e a madrugada espreita tremeluzente eternamente nova
Tão breve o que é perfeito
Tão demorada a noite
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5.1.16
PRENDO-ME
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1.1.16
PASSAM PONTES
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23.12.15
TREM DE PASSAGEM
De passagem vamos, neste trem de ferro,
a engolir paisagens, casas,
terras que não guardam casas.
Casas a espreitar os rios.
Rios que estreamos, rios que se mostram,
rios que sabemos e se ocultam.
Pontes sobre abismos.
Provocadores abismos,
pavorosamente atraentes,
brevemente apagados.
De corrida vamos, neste trem
de partidas e chegadas.
E as paralelas a guiarem-nos.
E o trem obediente, coleante,
bamboleante.
Uma vontade de ficar, colado ao vidro,
o vidro colado ao ferro, o ferro
a correr no outro ferro, e nós
a entontecer, a paisagem desfocada,
a vontade quebrada, a mão
abandonada sobre o sono.
O trem que vai, o trem que vem,
que vai, que vem.
Que vai.
Licínia Quitério
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18.12.15
ANJOS
Bonacheirões, alados,
rechonchudos, doirados.
Pairam, espreitam, sorriem.
Podemos avistá-los numa dobra
da tarde, num adejar de pomba,
por entre cortinados.
Silenciosos, falam-nos.
De olhos fechados, olham-nos.
Imóveis, perseguem-nos.
Neles revemos a bondade,
o sossego, a leveza,
a protecção na queda,
o impulso na subida.
Rimo-nos, e é de nós que rimos
ao dizer que os anjos não existem.
Calamos o desejo de acreditar em anjos,
serenos, dadivosos, ternos.
Dizemos anjo e pensamos homem, mulher,
livres, férteis, sem dor e sem culpa,
angelicais, apaixonados,
tremendamente humanos.
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17.12.15
ÀS VEZES A GENTE VAI
Há fumos que se levantam
Mas logo um sol nos desperta
E numa pedra embarcamos
Até ao rio de frescuras
Que noite fora lembramos
Licínia Quitério
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6.12.15
A COR
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2.12.15
BEIRA-RIO
É o que assusta os peixes
carnívoros medonhos
É o que te digo hoje
e imperfeito
Licínia Quitério
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