3.5.11

TREPADEIRAS

As plantas esperam que os olhos das casas se fechem.
As casas sabem que um dia os animais as deixarão
e também a cal se cansará das pedras.
A solidão das casas é oblíqua, assimétrica,
um registo incongruente de gargalhadas e silêncios.
As pedras sentem o germinar das sementes
na fundura morna das soleiras.
São elas, as sementes, as madres poderosas
das trepadeiras. São as trepadeiras a nova pele,
o abraço, o manto fresco e colorido,
o futuro das casas para além dos seus olhos fechados.

Licínia Quitério

Foto cedida por uma Amiga

9 comentários:

hfm disse...

Belíssimo! mas o último verso é um must!

Anónimo disse...

Este
é como sinto os sentidos
ao olhar as casas e o abandono, ao espreitar o sítio das camas e dos fogões
das traves
- nunca o saberia dizer assim -
Mas sempre, sempre as olho com a nostalgia das trepadeiras ou heras, bordadeiras
Bj da bettips

heretico disse...

também as casas são "compostas de mudança". como os olhos de quem as admira...

belissimo. e sabio texto.

beijos

Graça Pires disse...

Também vejo as trepadeiras a espreitarem as casas com um inquieto olhar... Belíssimo poema, Licínia. Um grande beijo.

Justine disse...

São essas as sementes, todas essas!
Só o poetas no-lo podem ensinar...

© Piedade Araújo Sol disse...

delicioso poema.

gostei muito!

bom fim de semana!

beij

Isamar disse...

Bonito poema! As sementes, fonte de vida, germinam e cobrem as paredes de esperança, vida e cor.

Beijinhos

Bem-haja!

Parapeito disse...

belas trepadeiras estas...que se agarram é pele de quem lê
brisas doces****

M. disse...

Como um poema de frescura e esperança, assim o sinto. A beleza da Vida que se renova.

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