6.12.09
VAI LONGE O TEMPO
partilhado por
Licínia Quitério
às
4:51:00 PM
6
comentários
27.11.09
DA AUSÊNCIA
Podia dizer-te da ausência como quem morde a espuma ou apunhala sombras e afastar um sonho enroscado no pulso. Pegar na espuma e nas sombras e depô-las na paisagem com a leveza que as aves ensinam. Se eu caminhasse sobre os campos de neve e olhasse para trás e apercebesse um rasto verde de agulhas e um cheiro morno de incenso no altar da distância, quem sabe a ausência mais não fosse que uma garra cravada na garganta do inverno, dor provisória, amortecida, guardadora dos casulos da memória.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
1:02:00 PM
13
comentários
17.11.09
SE EU PUDESSE
partilhado por
Licínia Quitério
às
4:43:00 PM
14
comentários
5.11.09
A ESCRITA DA CHUVA
A escrita da chuva é miúda, madrugadora, breve.
Escrita, apenas, livre da escravatura das palavras.
Quem sabe ler a sua transparência?
Quem lhe desvenda o verbo na liquida mudez?
Alguém falou do tempo efémero na cintura do dia,
de relâmpagos e árvores tombadas à entrada das cidades,
de cavalos fumegantes e do susto das donzelas na orla das planícies.
Nada a propósito da escrita da chuva no recorte do Outono.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
9:19:00 AM
18
comentários
29.10.09
NA ARESTA DA ÁGUA
Na aresta da água o canto dos corais.
Insone este mar de náufragos.
Na órbita dos barcos tudo é lume.
Desapossados do beijo das estrelas,
na praia nos quedamos e bebemos
azul em lâminas de sal.
Dói-nos a espada da infância sobre o ventre
e um menino lança contos de encantar.
Sobre o mar. Sobre a legenda do mar.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:32:00 PM
15
comentários
20.10.09
DESCALÇA VOU
Descalça vou pelos trilhos do sempre.
Levo na boca a aspereza das amoras
que os melros rejeitaram.
O meu bordão é de oliveira
e não floriu ainda.
Um passo é só um passo e a rocha é quente.
Os latidos dos cães me dizem a distância
e eu vou, descalça e firme e sequiosa.
Os adivinhos me dirão
a lonjura da fonte e a cama do ocaso.
Se me perguntam quem me doou
este manto de espuma e a verdura do olhar,
respondo:
Quem me fadou assim, descalça,
a desvendar a estrada?
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
7:03:00 PM
20
comentários
7.10.09
SUAVE A CHUVA
partilhado por
Licínia Quitério
às
6:46:00 PM
18
comentários
29.9.09
OUTONO
O murmúrio de insectos na vertical do olhar.
Promessas do bosque na queda dos frutos com sabores ao êxodo das aves.
Crianças abrindo portas para um sono leve.
É o Outono, dizem as velhas de mãos azuis com cheiro a alfazema.
A memória das folhas, implacável, a anunciar destinos madurados.
Um remoinho súbito, uma prece indistinta, um rumor, um estalido.
Melancólicas águas de outros tempos a inundar os passos da ternura.
É o Outono, digo.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
4:14:00 PM
12
comentários
23.9.09
NENÚFARES
partilhado por
Licínia Quitério
às
11:28:00 AM
18
comentários
19.9.09
NÃO SE MEDE ESTA FORÇA
Não se mede esta força de atar
folhas verdes a troncos velhos.
A força de amarrar os barcos
ou de pegar nos frágeis ovos.
De esmagar o veneno ou
de amparar o sopro da tarde.
De acarinhar a pele ou
de empurrar o corpo encosta acima.
Não se mede esta força.
Por agora não há como nem porquê.
Saberemos do ofício quando
o tempo vier de dizer fome
com as letras de pão,
com o peso das penas,
com as cores da madrugada.
Licínia Quitério
partilhado por
Licínia Quitério
às
3:07:00 PM
11
comentários
arquivo
-
▼
2009
(52)
- Dez 2009 (1)
- Nov 2009 (3)
- Out 2009 (3)
- Set 2009 (5)
- Ago 2009 (4)
- Jul 2009 (7)
- Jun 2009 (4)
- Mai 2009 (5)
- Abr 2009 (3)
- Mar 2009 (6)
- Fev 2009 (5)
- Jan 2009 (6)
-
►
2008
(55)
- Dez 2008 (6)
- Nov 2008 (5)
- Out 2008 (5)
- Set 2008 (4)
- Ago 2008 (4)
- Jul 2008 (4)
- Jun 2008 (5)
- Mai 2008 (5)
- Abr 2008 (5)
- Mar 2008 (4)
- Fev 2008 (4)
- Jan 2008 (4)

