21.9.20

VERÃO

 Anda por aí, de porta em porta, em despedidas.

Não é como o pai natal.

No saco não traz presentes

mas ameaças.

Diz, envolto num pano de vento:

Portem-se bem,

não abram os armários da ternura,

esqueçam tudo o que aprenderam sobre o amor.

Se assim fizerem,

voltarei para o ano a visitar

as vossas cidades de gelo.

Há quem lhe chame o medo.

É apenas um Verão

que aprendeu a mentir.

 

 Licínia Quitério


5.9.20

HAVEMOS DE VOLTAR


 Havemos de voltar deste degredo

com a bagagem que guardámos

a salvo da inclemência e da usura.

A nossa pele terá envelhecido

esquecida do calor do outro corpo.

Proibida a volúpia

as nossas mãos serão maiores 

porque espalmadas longo tempo

nas coxas, nas mesas,

nos vidros das janelas.

Na aprendizagem das fronteiras

soletrámos medo com as letras

que dantes nos diziam amor

ou ousadia.

Havemos de voltar da guerra

sem saber para que servem

os braços ou os lábios

a não ser para  funções de sobrevida.

Por muito tempo havemos de temer

o irmão, a mãe, o filho,

todos capazes de nos matar

com a arma invisível 

que o seu sangue transporta.

Voltaremos do palácio da demência

à casa donde nunca saimos

e nada contaremos da viagem.


Licínia Quitério

18.8.20

O POEMA

Palavras chegam, limpas, arrumadas,

segundo a ordem natural da fala.

Estranho despertar, com o poema

oferecido, desnudo, cruel, maravilhoso.

Obscuro o poder das palavras na pele

que de lágrimas se faz quanto de força.

Agradeço e aceito e amaldiçoo o poema.

Com ele vou pelos caminhos do dia,

a desbravar o tédio e os silvados.

Licínia Quitério

4.8.20

A VOZ DO VENTO


15.7.20

O FIO


Não fosse este fio que nos amarra
às paredes da casa, à soleira da porta,
havíamos de sair sem cuidados,
sem disfarces,
sem receio de tocarmos os lugares proibidos,
os rostos proibidos.
É o fio mais forte que nos aconteceu.
Invisível, impalpável,
é ele que nos comanda.
Do fio não sabemos origem nem destino.
Toda a estratégia falha com um inimigo assim,
fora de todas as regras, 
fora de todos os jogos
de guerra e paz com que vivemos.
É o fio que nos ata ao medo 
e nos desata os velhos laços.
Agora não sabemos como reaprender 
o gosto das coisas naturais 
que matam a sede, a fome, 
alimentam o amor.

Dorido caminhar sobre o vazio
até que o fio se rompa.

Licínia Quitério

27.6.20

OS LUGARES DA NOITE

Os lugares da noite escrevem histórias

proibidas aos mortais.

Se a chuva os toma

abrem as portas do choro,

deixam correr rios ignorantes

de margens e barcaças.

Na devassa dos ventos

tecem intrigas e lançam pedras,

sustos, gritos, às vidraças.

Às vezes  acendem luminárias

e são olhos de feras,

candeias caminhantes,

fogos-fátuos.

A lua nova aguarda

o seu parto de luz

para ensinar aos homens

os lugares da noite

e as provisórias trevas.


Licínia Quitério

12.6.20

LUGARES




Lugares concêntricos, profundos, uterinos,
de céus abertos
ao Sol e à Cassiopeia.
Apetecidos, distantes, únicos,
oferecidos ao guloso melro,
à fértil mariposa.
Lugares de iniciação de caminheiros
sem regresso.

Licínia Quitério

10.6.20

SILÊNCIO


Quero dizer silêncio como antes se dizia vestido de branco denso quase a doer silêncio que não rejeitava a pulsação nas veias uma cadência de sino a ensaiar o toque o silêncio da fala da minha mãe só olhar só sorrir muito antes das palavras o silêncio do amor religioso breve para depois ser lágrima explosão  Perdi o rasto do silêncio o meu desejo dele é agora uma maneira de dizer uma marca num livro um nome antigo duas linhas paralelas no palco da memória  Licínia Quitério




Quero dizer silêncio
como antes se dizia
vestido de branco
denso
quase a doer

silêncio que não rejeitava
a pulsação nas veias
uma cadência
de sino a ensaiar o toque

o silêncio da fala da minha mãe
só olhar
só sorrir
muito antes das palavras

o silêncio do amor
religioso
breve
para depois ser lágrima
explosão

Perdi o rasto do silêncio

o meu desejo dele
é agora uma maneira de dizer
uma marca num livro
um nome antigo
duas linhas paralelas
no palco da memória

Licínia Quitério

3.6.20

DIZER


9.5.20

3.5.20

O COLO

É no colo das mães
que tangem os sinos
do princípio dos dias.
É o cheiro das flores
do tecido das mães
que alaga a pele
e se faz céu e lago.
Pelo meio da história,
o sabor do leite,
a dor do coágulo,
a tormenta do linho.
Depois, a insipidez do soro,
a mudez dos sinos,
a ausência do cheiro das flores.
Recuperado o colo.
Licínia Quitério

20.4.20


4.4.20

O TEMPO BRUTO


chegou o tempo bruto de sentirmos 
iguais as horas do sono e da vigília

assim é porque nas ruas
ninguém passa ou passa
 
com os olhos atados ao chão
a boca inexistente igual
à boca inexistente de outro alguém


no corpo oblíquo uma pressa
de chegar ao lugar vazio
de fugir do desenho do ogre
que espreita em cada esquina
seja noite escura ou dia claro

vive-se a gramática dos verbos 
sem modo e sem tempo
e já ninguém se atreve a dizer amanhã
porque só hoje existe
e ontem foi o jardim das delícias
que deixaram este travo 
de fruta há muito amadurecida

temos medo que a memória
não guarde os gestos de abraçar
ou de beijar ou simplesmente
de aflorar 
a pele de um outro rosto
com as polpas 
dos dedos
trementes de aflição


assim vamos vivendo
dia sim amor não


Licínia Quitério


28.3.20

UM LEVE RUMOR


Era um leve rumor na porta da manhã
Um arrepio na cal
Um bater de asa
Na folha do loureiro
Uma dor súbita
Um cheiro insistente
A leite azedo
Uma agonia
Uma curta notícia
Um eco de palavra
No fundo da garganta

E depois
Um silêncio
Um silêncio infame
A cobrir a cidade
Vazia a cidade
Com o medo a pular
Nos bancos vazios
Nas ruas vazias

De olhos baixos os homens
Apressados os homens
Silenciosos os homens
Na boca das mulheres
Uma pergunta
Quando?
Uma aflição atada ao peito
Uma mágoa em cada mão
Para onde foi o coração da cidade?
Para onde foram todos?
Para onde?

Quem havia de dizer ...
Dizem os velhos
Quando isto passar ...
Dizem os novos

E o silêncio indecente
A encorpar
A invadir
A ameaçar
Este mundo e o outro
O outro que haverá
Com cantigas de roda
De mãos dadas
Tal como havia
Antes daquele rumor
Na porta da manhã

Licínia Quitério


27.2.20


23.2.20

POMBO


Que vês tu, pombo, desse teu cesto de gávea?
Sentes-te a salvo das ondas e dos mareantes de novas naus?
Pensas que o céu é o teu protector em dias de procela?
Será que esse teu olho é uma opala que o grande fogo te ofertou?
Sabes que pergunto porque há muito esqueci as respostas?

Adeus, eu vou em busca de outras aves.


Licínia Quitério

10.2.20

LUSCO-FUSCO



Ao lusco-fusco a indecisão das cores
traz-nos paisagens de cidades
que nunca passeámos,
mas contemplamos na penumbra do adormecer
com os olhos cansados de certezas,
de exactidão.
Ao lusco-fusco pensamos paz
e amaciamos a palavra
com um vapor de nuvem.
Os braços aconchegam o voo dos pássaros.
Acendem luzes na cidade.
Na casa da noite já se pôs a mesa,
já se fez a cama.
É a hora do anil e da saudade.

Licínia Quitério

8.2.20

O TRAÇO


Sulcar as águas é privilégio de ser barco.
O caminho traçar e apagar continuadamente.
Fazer e desfazer, seguir em frente,
sem se voltar, nunca retroceder.
Aproveitar o vento ou a maré ou a corrente.
Desaparecer  por trás das nuvens.
Nos olhos dos homens a memória
de um traço contínuo sobre as águas.


Licínia Quitério

1.2.20

UM ILHÉU


Posso 

amar um rochedo, um ilhéu,
na contraluz do sol nascente,
na afirmação do dia,
na lâmpada do sol poente.
Posso 

amar um rochedo, um ilhéu,
possui-lo de longe, amante incerto,
respiro do oceano.
Posso 

amar uma árvore, uma voz,
uma varanda sobre a serra.

Posso
amar a 
presença e a ausência,
o eterno e o instante.
Posso
amar.


Licínia Quitério

22.1.20

UM CAMPONÊS




Um camponês vê os frutos ao olhar as árvores.
Aprendeu isso com a gulodice dos pássaros.
Sabe os nomes das árvores antes de nascerem
porque a terra-mãe lhos segredou
quando nela se deitou cansado de estiagem.
Um camponês não dorme sem uma árvore por perto
ainda que perto seja do outro lado do mundo.
Diz: esta é mais velha do que eu,
aquela ali tem a idade do meu filho,
Mede o seu tempo de ser árvore.

Licínia Quitério

15.1.20

OLHAR


Passamos e não olhamos
ou olhamos e não vemos
e sempre podemos dizer
que não passámos.

Foi assim contigo até ao dia
de olhar e ver e olhar de novo
e ver melhor e gritar eu vi eu vi.


Ninguém vai entender o teu grito
mas tu sabes o que viste
quando de verdade passaste
e tiveste a alegria das coisas visíveis
porque realmente as desejaste.

Licínia Quitério

11.1.20

PLENILÚNIO


Noite de plenilúnio.
O astro segura as rédeas do cavalo do frio.
Hora de invocar a protecção dos seres que se alimentam do silêncio.
Uma mancha de luz caminha em nossa frente, a desafiar lembranças de outras luas de potros alados.
Na manhã de sol, há nos rostos uma sombra, um anúncio de lua nova.

Licínia Quitério

27.12.19

TEMPOS


No tempo de ser erva ofereci-me aos bichos e aos homens e ensinei-lhes o verde e a frescura. 

Depois fui pedra e dei poiso aos bichos e aos homens para despirem o cansaço.
Nesse tempo de pedra aprendi a descida e o prazer de rolar e ver o céu rolar em minha volta.
Depois experimentei ser água e lavei as memórias de ser erva e de ser pedra.
Agora respiro fundo ao cheirar a erva acabada de cortar.
Apanho pedras no caminho e acaricio-as.
Guardo nos olhos o ondular das águas de regresso. 

Chamam-me mulher.
Ainda me falta ser vento e ser viagem.

Licínia Quitério

14.12.19

FLORES DA NOITE



São as flores da noite que te embalam o sono, te segredam promessas de adornar a árvore dos dias.

Flores a preto e branco, flores descoloridas, magníficas flores, simetrias radiantes, invisíveis na claridade das ruas, na penumbra das casas.
Só no chão das noites se alimentam, na poeira acidulada dos leitos, e sobem, sobem, rodopiam, entrelaçam silêncios, dançam histórias sem princípio nem fim, 
dizem-te, dorme, dorme, o teu sono é a nossa vida, o nosso tempo.
Amanhã recordarás um tilintar de loiça fina, a despertar-te, e um doce aroma a inundar-te as horas.
Dirás de goivos, de laranjas, de jasmins.
Não saberás das flores que vivem nas paredes das noites, flores loucas, flores de carne, flores impossíveis no estrépito diurno.


Licínia Quitério

6.12.19

A HORA

É a hora
de preparar o chão da noite,
de falar baixo ou calar,
de recolher as roupas,
de desligar os motores,
de convocar o silêncio do peito,
de procurar o sentido das mãos,
de juntar palavras de dia
com palavras de noite
de escrever a saudade da maré alta,
dos pinheiros altos,
da janela alta das esperas.
Licínia Quitério

28.11.19

ESCREVER



Por vezes, é preciso não escrever,
responder à chamada dos abismos
ainda não, não é o tempo.
Sempre havemos de voltar.
Maior que a treva, a tentação.

Licínia Quitério

19.11.19

AZUL



Não era azul claro, azul escuro,
azul marinho, azul pavão,
azul safira, azul cobalto,
azul de mar alto,
azul dos olhos de Bette Davis.
Era o azul do céu à entrada da noite,
azul manto, azul inteiro,
azul absoluto, azul azul,
azul colado nos meus olhos
esquecidos de imensidão.
Licínia Quitério

13.11.19

A CASA VELHA



Rasgões em ameaça à coesão da cal.
As plantas invasoras, vingativas, rejeitadas
pela placidez dos bosques. As cores decadentes,
tumulares.
O soçobrar do prumo nas empenas.
A desistência da onda nos beirais.

Há quem diga assim a casa velha.

A porta só no trinco, em alarde vermelho.
As trepadeiras vivas abraçando a cal.
Em cada telha um ninho ou uma espera,
um sossego, um tempo livre de traições
ou abandonos.
A respiração dos passos na soleira, 
o calor no inverno, o amor de quem partiu 
e a paz que se aprendeu.

Há quem diga assim a casa velha.

Licinia Quitério

21.10.19

PODIA DIZER-TE


Podia dizer-te a luz da tarde acesa na janela,
ou a alegria envergonhada das ramadas,
ou as vozes dos amigos esboçando um fado,
ou a  nostalgia das bandeiras reclamando pátrias,
ou ainda as casas, sim, as sábias, astutas casas
debruadas de amores e perdições.

Podia até pintar uma aguarela, ou escrever um poema,
ou modelar um rosto, ou compor um adágio,
ou soltar um grito, ou correr, ou saltar,
ou abraçar-te, ou lançar um papagaio de papel
e depois dizer-te: Vês, eu não sei nada. Ou então:
Que queres de mim? Ou (por que não?): Amo-te.

Não podia mudar o coração da terra
nem a esperança fechada nas mãos dos homens
quando sofrem.

Licínia Quitério, 2010

20.10.19

NOVO LIVRO


11.10.19

O LAGO



Havia terra e árvores, em redor do lago.
Havia rãs e cágados e cobras de água, dentro do lago.
O lago tremia inquieto pelos seus bichos.
Vinham de terra outros bichos beber água no lago.
Havia homens e mulheres que vinham olhar o lago, só olhar.
Despediam-se felizes, até um dia, lago.
Chora o lago com lágrimas terra adentro.
Ninguém sabe para onde foram os bichos do lago.
Ninguém sabe para onde foi a água do lago
que agora não é mais que o desenho do lago.
As árvores em volta estão tristes. Esperam que a água
volte e com ela os bichos do lago e os outros que vêm de terra
e os homens e as mulheres que olham o lago, só olham,
e se despedem, até um dia, lago.

Foto de Fátima Casals

27.9.19

POENTE


Mar e céu entendem-se, confundem-se,
incendeiam-se.
Há um barco parado ou a sombra dele.
Em contra-luz, em frente à luz, a casa espera.
Doem-lhe as traves nos gritos das gaivotas.
De oiro e de sangue as palavras perdidas
nos cais de anoitecer.
Salgados os olhos das mulheres.
Escurece.

Licínia Quitério

25.9.19

AUSÊNCIA





Difícil titular o que não é
senão a leveza do fumo a custo percebido.
A macieza numa mão fechada,
o esboço de sorriso, só o esboço,
a promessa de abraço que não passou
de um parêntesis recto em demasia,
o beijo numa pressa a descolar da pista,
o banco da reforma com a tinta a estalar e
um abutre, ou um anjo, lá no alto
a espreitar.
O táxi que nos pega nas horas de dormir
e, no fim da corrida, um deus branco a acenar.
O café, a morfina do social correcto,
com cheiro a roças e a negros de cetim.
A mulher que lamenta não ser capaz de rir ou
o louco em gargalhadas com vidros no olhar.
O falar por falar -
rosário de palavras ou contas por contar.
A ausência, pois, a ausência.

Licínia Quitério, em Da Memória dos Sentidos

23.9.19

OUTONO


Chegou de mansinho. Era um gatinho
amarelo de veludo antigo, a cauda em esse
a roçar as ervas distraidamente. A janela
aberta disse-lhe bom-dia, estás de volta,
amigo. Ele respondeu com um sorriso
humano de mistério. Souberam as aves
que à palavra chegada haviam de partir
e desdobraram asas. As mulheres
de viagens, os homens de viagens, leram
novidade nos ares e persignaram-se.
Uma criança chorou com um pequenino
medo a atravessar as lágrimas. Um velho
arriscou, serás o último. O gatinho amarelo
mirou as folhas do plátano na beira
do caminho. Disse, o meu trabalho começou.
Alguém em voz macia pronunciou o seu nome
e o escreveu na areia húmida da praia.

Licínia Quitério

17.8.19

DIGO


Digo
palavras pequeninas:
mãe, pai, mar.
Convocam-me, engrandecem-me
abraçam-me.
Palavras inteiras:
país, guerra, deserto.
Situam-me, olham-me
provocam-me.
Palavras adultas:
mulher, homem, solidão.
Dizem-me, limitam-me
atraem-me.
Palavras desprezíveis:
inveja, ignorância, calúnia.
Diminuem-me, ferem-me
sufocam-me.
Palavras amáveis:
amigo, beleza, dádiva.
Confortam-me, alimentam-me
melhoram-me.

Amor não digo
porque breve
porque esquivo.

Licínia Quitério
   

2.8.19

CRESCER



Os meninos crescem-nos do coração. 
São gomos frescos de vida. 
Os meninos têm o choro igual ao riso, 
igual ao canto. 
Só param quando a fada da noite os adormece 
nas almofadinhas do sono. 
Olhamos os meninos e nada entendemos 
do mistério de crescer. 
Habitamos com eles a inteireza do tempo.

Licínia Quitério

14.7.19

CHEGAMOS



Chegamos ficamos estamos
só nós e a paisagem.
Há-de haver uma hora
de saber o segredo
da respiração à nossa volta.
Um arfar de gigante,
um suspiro de riacho.
Tudo sem nome e sem tempo.
Só nós e a nossa ignorância
e o desejo de conhecer
o coração da terra
que pulsa dentro do peito
e às vezes diz ave
e às vezes diz criança
e às vezes cala
e a dor avança.

Licínia Quitério

7.7.19

O BARCO



Chegou a idade de veres partir os outros, os mais velhos. 
Estás agora na linha da frente, paciente, a deitar contas.
Percebes que a ordem dos números endoideceu.
Muitos dos que chegaram depois de ti já estão além fronteira.
Sentes-te uma ilha a flutuar num mar de gente
que não avisou, não se despediu, não esperou por ti. 
Ficas a aguardar um certo barco, que não desejas, 
que se tem demorado em erradas travessias, dizes, 
mas afinal és tu que não sabes contar.

Licínia Quitério

2.7.19

arquivo

 
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