12.7.11

NAQUELA HORA


Naquela hora todas as portas
se abriram e o teu corpo ganhou
o tamanho das palavras
que não quiseste dizer.
Havia o cheiro a alecrim e incenso
das procissões nos caminhos serranos.
Ouviram-se sinos nos campanários
distantes de aldeias distantes
em mapas ainda mais distantes.
Veio o cipreste e afirmou
ser irmão doutro lugar ao norte.
Era uma árvore perdida a reclamar
asilo como acontece nas histórias.
Nas vidraças podia ler-se o desenho
branco das máscaras de Veneza.
Se não fosse inconcebível,
um barco subiria as escadas
e tu, ainda de pé, com um menino
ao colo, embarcarias, sorrindo,
murmurando um cante do país ao sul.
Noutra hora, todas as portas voltaram
a fechar-se. 

Licínia Quitério

12 comentários:

hfm disse...

O eterno ciclo na beleza deste poema!

Maria disse...

A beleza das palavras de quem escreve o futuro tendo na memória o passado. O hoje está apenas na porta que se abre e se fecha, e já passou...

Beijo, Licínia.

Katatsumuri disse...

Homenagem muito bela a uma partida inesperada. Havemos de voltar noutras viagens, noutros dias, noutras paragens.

heretico disse...

muito belo.sabes como ninguém entretecer sentidos e as palvras que os exprimem...

beijos

bettips disse...

Hora de silêncio, respeitoso, abraçado. A uma árvore sem nome mas com raiz. Fecho os olhos contigo.
Bj

M. disse...

Que modo melhor do que o das tuas palavras sensíveis e muito belas para acompanhar alguém?

Justine disse...

Há horas em que tudo é possível. Há outras horas em que tudo escurece...
Como a tristeza e a dor se podem transformar em poesia!

Graça Pires disse...

Como tudo é possível também aqui me chegou "o cheiro a alecrim e incenso" e ouvi o sino no campanário que naquela hora anunciava o poema...
Um beijo, Licínia.

Mar Arável disse...

... entretanto ...

é bom ter uma janela aberta

Os pássaros ainda voam

Pastelaria disse...

Olá Licínia

Antes de mais , parabéns pelo Blogue..! Gostei do que vi

Gostaríamos muito que desse uma vista de olhos no projecto DVB, de saber a sua opinião, e qual o interesse em desenvolver o seu trabalho neste novo formato.

\"Transformamos\" os seus trabalhos (já editados em livro, ou não ...), num DVB- Digital Video Book, uma ideia original da Pastelaria Studios Productions

O projecto é recente, é uma inovação, tal como explicamos no nosso blogue:

http://pastelariaestudios.blogspot.com/

É exactamente isso, os seus poemas seriam "transformados" num DVB . Um livro que se vê como um filme ( com menu , extras, biografia, capítulos, etc... )

Não somos uma editora e prestamos essencialmente um serviço criativo.

A minha sugestão seria, enviar-nos os seus \"registos\", e nós faremos um orçamento.

Posso adiantar que, por ser um projecto novo e, embora o trabalho criativo (audio, voz, imagem, construção do DVB, etc) seja bastante, queremos chegar ao maior número de autores de obras escritas, mesmo que essas estejam (ainda...) na gaveta .

Realizamos e produzimos, também , Audio Books

Fico a aguardar uma resposta e, qualquer dúvida… estamos por aqui.

A sua opinião é muito importante para nós, pois só assim conseguiremos crescer e melhorar sempre ! e.... porque não, arriscar ?!

Sem compromisso, escolha um dos seus poemas ou textos … e nós realizamos uma pequena amostra do nosso trabalho, é um presente nosso …para si …. :)

Um grande abraço desde aqui

Teresa Maria Queiroz

pastelariaestudios@gmail.com

Licínia Quitério disse...

Pastelaria,

Muito obrigada, mas o vosso trabalho não se enquadra nos meus planos, de momento.

sandrafofinha disse...

Lindo e encantador este poema!! Nesta hora eu te venho dar um beijinho e desejar que sejas feliz e continues a ter muito sucesso. Fica bem querida amiga!!

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