4.1.12

SOBRE A AREIA


No dia das palavras 
apagadas, 
com as mãos desenharemos 
as cores da tarde sonolenta, 
a pele rasgada das casas
a alegria verde das plantas.
Quando faltarem as palavras
necessárias, na medida
das coisas nomeadas, 
caminharemos descalços sobre a areia
a inaugurar o livro das verdades
e o dos segredos e, antes do sangue,
o dos desejos.
O amor, à míngua de palavras,
só os olhos dirão, macios, irrequietos,
varrendo brumas e pináculos, 
iluminando a noite, alimentando
incêndios. 
Assim fechados, meus olhos sobre a areia.


Licínia Quitério





4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Excelente poema.
Já não te visitava há imenso tempo, mas vejo que a tua criatividade e talento se mantêm inactos.
Querida amiga Licínia, bom resto de semana.
Beijo.

Mário Domingos disse...

Licínia,

"Sobre a areia", sintético e significativo, belo e essencial.

Um abraço.

M. disse...

Como quem caminha sobre o deserto. Que fotografia tão bonita! A simplicidade da consistência.

Vieira Calado disse...

Há tempo que não a via!

Desejo-lhe um excelente ano de 2012!

Bjsss

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