16.5.12

À FLOR DAS ÁGUAS


São os dias do cerco. A cidade

ajoelha. Os deuses preparam 

a combustão das matas.

Os estrangeiros recuperam

as palavras guardadas sob os catres 

e aprontam as vestes da partida. 

Sem resistir, a cidade adormece. 

Um jovem abeira-se do cais. 

Nas mãos fechadas, uma música 

de estrelas. Nada pode contra 

o silêncio das muralhas. Avança

e uma névoa cresce à flor das águas.


Licínia Quitério

4 comentários:

heretico disse...

sufocante a nevoa à flor das águas.

belo teu poema.

beijo

Justine disse...

A cidade há-de acordar!A música das estrelas será ouvida ao longe! Tal como a poesia...
bracinho

Mar Arável disse...

Repara ao longe

uma nesga de sol

Bjs

© Maria Manuel Rocha disse...

a cidade ajoelhada à água que a poderia redimir -

Mas, amiga Licínia, escreveo para agradecer as sempre gentis partilhas de poemas, tão belos e intensos.
E gostava de agradecer a todos os que, durante estes anos (quase a fazer 4) me visitaram, leram, gostaram ou não, comentaram, deixando palavras de apreço, bastante estimulantes para mim.
Mas, nesta fase da vida, sinto indisponibilidade várias não me permitem repartir-me por várias tarefas. E não tenho conseguido ler, visitar-vos nos vossas espaços da palavra (que saudade de vos ler!)
de vez em quando,.
Não digo «adeus», até porque de vez em quando ainda venho aqui, deixar um “post”, mas com muito menos assiduidade.
Então, digo “até já! E deixo um abraço poético,
Maria Manuel

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