14.8.12

QUE CHOVA


Que chova. Abundantemente, chova. 

Que o mar receba as lágrimas do céu 
e lhes ensine o sal e a saudade. 
Que a chuva alumbre as dores 
dos penhascos e os livre da sede 
e os agrida e os comova e os lave.
Que chegue a noite e a chuva dance
nos faróis, no vento, nas grutas
onde dorme o pó e a escuridão.
Que chova sobre o tédio e a demência
e as mãos dos homens sejam concha
e reaprendam o saber das águas
vivas, livres, circulares, eternas.

Licínia Quitério

4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Essa chuva está a fazer tanta falta...
Magnífico poema, querida amiga Licínia, gostei imenso.
Beijo.

cores e outros amores disse...

Belíssimo poema. Que venha a chuva e lave todo o pessimismo que teima em sujar estes nossos dias.

Mar Arável disse...


Que chova

nas mãos desertas

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Lindíssimo , quase prece !
Foi assim a beleza deste apelo .
JoséRMarto

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