28.5.13

ESTÁS AÍ




Estás aí à espera que o trigo germine 

como se as sementes não sofressem
da moléstia que sufoca a garganta dos rios. 
Não saberás a sede acidulada da terra 
exausta de arados rancores.
Por muitas moedas que semeies a confundir 
o grão não provarás a quentura do pão 
contra a pele do inverno. 
Sentado no veludo não sentirás 
a ternura que alaga o linho e o ilumina.
Limparás da mesa as vitualhas 
até que a bolsa te pese mais que o coração. 
A atravessar os anos o teu corpo a doer a afundar 
e as mãos vazias que o trigo não germina 
depois do joio antes do sal.

Licínia Quitério

3 comentários:

Justine disse...

É nas coisas simples e naturais que está o futuro,e, quem sabe, a possível felicidade...

Mar Arável disse...

Talvez um dia

" levantado do chão"

M. disse...

Litografia.

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