8.3.14

LÍQUIDOS


De água falo, mesmo que de corpo,
terra, secura, tremor de mãos, viagem.
Antes que o dissesses, não sabia que
meus versos eram inundação e leito.
Líquido escorrente, amor primeiro,
a fazer-se enchente e alagar e, se não
bem percebido, a afogar a boca da inocência.

Sobolos rios me agigantei, dentro dos rios
caminhei, a linha de água paralela ao oiro.
Há peixes nos meus versos, bem os vejo, 
signos, luzeiros, exclamações, inúteis peixes 
quando a água da lua se despe e se insinua.

Licínia Quitério

5 comentários:

Paula Raposo disse...

Gosto muito! Gosto! Beijos, Licínia.

Mar Arável disse...

Peixes voadores
nas suas palavras
respiram por guelras

Bjs

Justine disse...

Palavras líquidas, suaves e fortes. Poesia que se insinua por todo o nosso corpo, como água!

Graça Pires disse...

Todas as paisagens líquidas no olhar de quem assim escreve...
Muito belo, Licínia.
Beijo.

Nilson Barcelli disse...

A tua poesia é um rio de palavras...
Gostei muito do teu poema, é excelente.
Licínia, tem um bom fim de semana.
Beijo.

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