28.6.14

ERA UMA CHUVA


Era uma chuva muito leve, a pontear-nos os cabelos de frescura. A floresta tinha pequenos estremecimentos, diria, sensuais. Apetecia penetrá-la, desvendar-lhe os segredos, animais transparentes cujo nome só ela sabe. Fica
mos sempre aquém deste saber, deste sabor, deste odor de mistério e exaltação. Ficamos sempre ao largo e seguimos os caminhos travessos por medo dos golpes, das feridas, das mágoas, que a floresta guarda, que a floresta esconde, no seu chão de verde, no seu chão de lume. Era uma chuva muito leve.

Licínia Quitério

1 comentário:

heretico disse...

louvemos então a chuva - que nos resguarda...

belíssimo.

beijo

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