7.6.14

O FENO


Os meus olhos sobre o feno, sobre as ondas do mar deitado. As minhas mãos imóveis revolvendo a terra onde se movem cansados animais. Maior que as coisas vivas, o mar da minha ignorância. Certezas tenho deste não saber vida fora, campo adentro, deste espanto de agulhas de sol e de chuva, iguais, sempre iguais, nos dias e nas noites, nas horas irrequietas dos transatlânticos ou no tempo acre dos estábulos. Na fímbria dos instintos, esta fome, esta sede, este desejo de pérolas, este pálido tremor assinalando os ossos.

Licínia Quitério 

3 comentários:

O Puma disse...

Com este desgoverno

só falta roubarem-nos a palha

heretico disse...

esta fome e esta sede que nos mantém à tona...

beijo

Graça Pires disse...

"Os meus olhos sobre o feno, sobre as ondas do mar deitado". Junto os meus olhos aos teus...
Beijo.

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