15.7.14

ESMERALDAS


Gritar esmeraldas na bainha do mar acende labaredas no profundo, em cavernas pejadas de desejos, leitos brancos de morte inacabada, de ogres soluçantes,  de territórios imaculados. Um dia fui o substantivo enrolado no colo das gaivotas. Hoje esqueci a substância do azul. Por isso lanço gritos na bainha do mar e aprazo encontros febris na maré viva, na noite da lua grande. Convocarei feitiços, sacrifícios, abençoarei a demência, a insanidade. De manhã, a semente de lótus lá estará, na minha mão direita a implorar-me a terra, a água, o homem que há-de vir, semeador sem sonhos nem memória. Acreditar será o meu martírio.

Licínia Quitério   

1 comentário:

heretico disse...

convoquemos o vivos e os mortos - e teimemos. acreditando sempre...

belíssimo

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