3.1.15

PODE ACONTECER


Pode acontecer que o piar de um pássaro te chame à amurada do navio e lhe perguntes donde vens, de que terras te perdeste, que procuras no meio do nada, que recado trazes lá donde partiste, donde fugiste. 
Que sabes tu da dor de um pássaro no meio da tarde, no meio do mar, olhando-te, sim, olhando-te, o seu olhar de vidro igual ao olhar dos mortos, mesmo assim de corpo alucinado, e tu perguntando, repetindo, mais alto, donde vens, que escondes que não me dás, que queres de mim, perdida de mim, no meio desta tarde, no meio deste mar, sabendo agora de um pássaro de nenhures, que me visita, me desafia, me enternece. 
Foi breve o tempo do pássaro no navio. Partiu, como veio, sulcando o nada, e tu, num aceno, a dizeres um nome improvável para um pássaro em perpétua viagem.

Licínia Quitério

6 comentários:

Graça Pires disse...

Pode acontecer, Licínia ,que o voo dos pássaros faça voar o que nos magoa e eles, os pássaros, regressem com voos perfeitos...
Um beijo.

Mar Arável disse...

Pássaro silvestre

sem muros nem amos

heretico disse...

livres que somos ...

beijo

Era uma vez um Girassol disse...

Licínia, venho desejar-te um Bom Ano de 2015, com saúde e muita inspiração!!!
Texto lindo....
Beijinhos da girassol

Licínia Quitério disse...

Há quanto tempo, Girassol! Que bom saber de ti. Beijinho.

Era uma vez um Girassol disse...

Sim, Licínia, também gostei imenso de te reler...Este é um dos espaços que mais aprecio, desde a hora em que começaste...Lembras-te?
Andei perdida por outros lugares virtuais...mas tenho saudades dos tempos de grande convivência aqui na blogosfera....
Beijinhos da flor

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