14.7.15

OS DEVORADORES


Consumada a aridez dos adros,
os devoradores violam o sangue das cidades,
as águas que das ilhas correm,
a seiva cálida das oliveiras,
o pão das messes, a carne dos rebanhos.
Insaciáveis, por castigo, nasceram.
Imitadores de Prometeu, 
porém ignorantes do fogo que ele via, 
desprezam os deuses e as águias.
Seguros da fortaleza de seus corpos,
do fígado fizeram coração 
e dele o oiro da passagem.
Porque o Livro dos Mortos lhes fugiu da mesa da devora,
não sabem que o barqueiro não o aceitará. 
Continuam,
a fome lhes crescendo, 
os homens abusando.

Licínia Quitério

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