2.12.15

BEIRA-RIO

Digo-te daqui da margem deste  rio
O sabor novo das papoilas
Como quem diz pequenas alegrias
E as atira ao despertar
Dum tempo de dormentes

Não serão rubras as papoilas
Que o longo sono as transformou
Lhes deu gargantas
Onde esconder os gritos
Onde ensaiar declarações
de amor e resistência

Mais te queria dizer
Mas o leito deste rio ainda sofre
As feridas da secura
Nos anos dos peixes velhos
Carnívoros medonhos

Digo-te das papoilas
do rio
Do sofrimento deste rio
Da grandeza deste rio

Digo-te 
Companheiro
Mergulhar bem fundo
Voltar à linha de água
Dizer que se é papoila
Vale a pena

É o que assusta os peixes
carnívoros medonhos

É o que te digo hoje
Daqui da beira rio
No meu dizer redondo
e imperfeito

Licínia Quitério

2 comentários:

Mar Arável disse...

Papoilas as minhas preferidas
porque não têm pétalas têm asas

Bj

heretico disse...

dizes para prazer nosso que temos o privilégio da tua poesia...

beijo, querida Amiga

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