6.2.16

A SECA



Em tempo de sequeiro não há chuva 
que alimente as fontes.
Tão funda a sede 
que nunca a areia se faz lama.
Não há dor, não há distância 
que os olhos humedeça.
Somos casca de árvore 
que lume algum afronta.
Ouvem-se ao longe ladainhas 
de palavras roucas.
Nossas bocas inúteis e o pássaro 
tombado no portal.
Nem toda a fome mata.
Toda a guerra seca.

Licínia Quitério

1 comentário:

Graça Pires disse...

Um poema que faz pensar...
Beijos, minha amiga.

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