15.6.16

O LODO



Aprendemos a fingir que nada aconteceu, que somos ainda os mesmos a passear de mãos dadas pelos cais desertos, o cheiro do lodo a trazer-nos a velhice da cidade.
Tantas guerras passaram e nós à espera que a paz acontecesse, a grande paz que tínhamos lido, feita de troncos renascidos e de animais à solta, derrubadas as farpas da loucura.
Passou o tempo do aço, passou o tempo da renda, voltámos a passear nos cais do lodo e inventamos histórias iguais às verdadeiras.
Tão poucas certezas nos ficaram do mar de enganos que vivemos.


Licínia Quitério

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