6.12.16

A TERRA


A minha terra é a cama onde me deito
a mesa dos manjares e da tristeza
o braço amigo mesmo longe, mesmo frio

A minha história é a da outra que foi
pelos caminhos do cristal e da ferrugem
e voltou pálida e estranha
com os olhos plenos de paisagens 
onde navegam  árvores torturadas
casas com os ossos a espreitarem
o latido dos cães, a chamarem 
as contorsões das lagartixas

Mas há o debrum azul a serenar tempestades
o  oiro matinal a engravidar searas
o luar a amparar os fugitivos

Assim a terra onde me vivo, me prossigo
e às vezes canto e espero

Licínia Quitério

1 comentário:

LuísM Castanheira disse...

enquanto houver "oiro matinal a engravidar searas", a vida será vivida.
belo poema no existir da 'terra'.

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