13.12.16

DISSOLUÇÃO


Da minha janela, pela manhã,
avisto o  véu  do sono inacabado
a desfazer rasgões, arestas.
Das cores restou apenas

seu esplendor e ausência, 
que nomeei de branco e preto,
a dar-lhes corpo e vida.

Recolho-me e aguardo.
Mais logo irei dizer 
o azul celeste,
o verde esmeraldino,
o amarelo oiro,
o vermelho papoila,
para não falar da velha foto a sépia,
antes que tudo volte a ser
dissolução.

Licínia Quitério

1 comentário:

LuísM Castanheira disse...

a neblina esconde a beleza...
que há-de ser.
...e já é (no poema belo e ilustrado).

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