4.1.17

JORNADA


O silêncio do corpo é a própria ausência,
seu repouso e transparência.
No silêncio do corpo, abrem-se leques,
flores de cerejeira, águas brancas,
cumes arredondados com cheiro a seios
antes do leite.
Breve é o tempo de crescer, doce a subida,
certeira a seta na descida.
No meio da jornada, o sobressalto,
o tilintar de engenhos,
a indecisão do nevoeiro.
O corpo ali, rosto de esfinge,
pedra de sorriso,
quantos são os teus pés,
para onde vais.

Licínia Quitério

2 comentários:

LuísM Castanheira disse...

...e por vezes, a vida tão curta, cruel na paragem abrupta.
o maior mistério do nosso fado valoriza cada momento sentido.
como disse o poeta, creio Manoel de Barros: "nasci com dor e ela comigo cresceu..."(de memória).
Só tenho uma pequeníssima dúvida, no belo poema do corpo em jornada: acaba em ponto final ou ponto de interrogação?
Um abraço.

Licínia Quitério disse...

É ponto final. Decidi assim porque de facto não é uma pergunta, mas uma reflexão.Obrigada pela sua atenção.
Abraço.

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