7.2.17

NO VENTO


No vento, escreve-se
o mar e o deserto,
com  suas ondas de fúria 
e de constância,

e também
o desalinho das ramadas
onde se inventam pássaros
com o seu canto a haver,

e também
o susto das paredes,
seus gemidos de pedra,
seu orgulho a ceder.

No vento, escreve-se 

o homem, a criança, a mulher,
seus temores de nascer,
de caminhar, de se perder.

No vento, só não se  escreve o amor,
esse sopro abraçado a outro sopro

liberto de qualquer caligrafia.

Licínia Quitério

2 comentários:

LuísM Castanheira disse...

só posso (quero) dizer que é belo, o poema...
um abraço

Mar Arável disse...

Sopro-te e voo
amiga poeta

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