19.2.17

LITANIA DA CHUVA


Era de noite e chovia

a água tamborilava
ao sabor da ventania

alguém na rua passava
e uma luz se acendia
onde uma mulher chorava
enquanto a chuva caía
porque o homem que passava
não parava não a queria
e enquanto o vento cantava
era a mulher que se ouvia
já fui dona já fui escrava
já fui noite já fui dia
fui soldo com que comprava
o linho com que tecia
o enredo que enredava
o lençol em que dormia
o passageiro que passava
e na minha casa entrava
e o meu corpo prendia

enquanto o vento soprava
enquanto a chuva caía

Licínia Quitério

4 comentários:

Graça Pires disse...

Que bela litania!
Um beijo Licínia.

Mar Arável disse...

Sempre delicioso ouvir a chuva cantar nos teus poemas~
Bj

LuísM Castanheira disse...

Um poema cheio de musicalidade.
Para mim seria letra de Fado.
Gostei muito
Um abraço

O Puma disse...

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