9.8.17

O VENTO NORTE


Este vento de Verão desnorteou-se.
Barafustou contra a rosa-dos-ventos,
desgrenhou-se e partiu 
armado de fúria e liberdade.
É vê-lo a uivar por entre as pedras,
a rir da curvatura de sebes e searas.
Detém-se por instantes qual corredor
na linha da partida e aí vai de novo.
Não há asa não há vela não há casco
não há homem que o domine.
É o tempo de mostrar que é o senhor do fogo
do naufrágio da perdição das sementes.
Porém, quem o quiser ouvir há-de saber
de uma mulher no cimo de um rochedo
a entoar uma canção de amor
a entrançar os seus cabelos de oiro
com as cordas que o vento lhe ofertou.
Histórias do vento norte que eu guardei
mas ninguém me contou.

Licínia Quitério

1 comentário:

Maria Alves disse...

Excelente, adorei!

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