21.4.18

O BINÓMIO


Quem sabe um dia a vida tenha sido
a duas cores
duas

das que se guardam no arco-íris

A luz do dia verde
verde
da mãe das flores e das sementes

A luz da noite azul
azul
do céu da tempestade e da bonança

Se foi assim
com as duas cores 

os homens refizeram o mundo

Deitaram-se à tarefa de
escolher
separar
multiplicar
combinar
recompor
inventar

desesperar
descansar
desistir

Foi num abrir e fechar de olhos
que tudo se desdobrou
do vermelho ao violeta
em mil e um degraus
que vemos e não vemos
pois reclusos ficámos
entre o sim e o não
o negrume e a alvura
a candura e o nojo
o excesso e o defeito

A tantas cores o mundo
e homens que vêem branco
e homens que vêem negro

num binómio incolor de suicidas

Licínia Quitério

1 comentário:

Graça Pires disse...

Poema a duas cores...
Escreves sempre bem, Licínia.
Uma boa semana.
Um beijo.

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