8.4.08

ANDANTE




foto de J. Abel







Vem da noite insone das copas. Esquecido do fantasma das décadas nos ombros, assombrado pela poalha de esmeraldas na paisagem, segue o trilho dos eternos caminheiros. Uma casa ao longe, uma porta aberta, uma presença. Ainda não - este o seu grito na manhã. Com uma garra no peito, aguarda o eco. Um dia, quando a porta da casa se fechar, não saberá ouvi-lo. Hoje, modulados numa estranha harmonia, os sons regressam. Continua, com um sorriso líquido nos olhos. Vai riscando o cinzento das bermas com a cor sanguínea dos cabelos da urze quase seca.

Licínia Quitério

15 comentários:

Graça Pires disse...

Também aguardo o eco com um sorriso líquido no olhar. Um grande beijo Licínia.

herético disse...

fixo-me na belas imagens e metáforas. elas me bastam...

bela "essa poalha de esmeraldas na paisagem".

gostei muito.

CNS disse...

Lindo, este grito na manhã.

Maria Laura disse...

Enquanto os sons regressarem, continuaremos. A garra no peito parece ser inevitável.

Perdido disse...

Como a onda, comprime-se, forma-se na altitude e depois espalha-se na areia. Assim é o tempo que bate nas paredes fortes das montanhas e reflui para nós, calmo, disciplinado, obediente. Mas já não é o tempo que regressa, é o seu eco, moldado no som que são as palavras com que espalhamos cor e calor por todos os universos.

Perdido disse...

PS:

Essa D. Clotilde está muito bem apanhada

TINTA PERMANENTE disse...

Retalhos de uma peregrinação?!...

Abraços!

legivel disse...

... que o eco das vozes dos que caminham, se multiplique. Saber ouvi-lo na dissonância, é uma das virtudes para a viagem em uníssono.
Adiante.

beijinhos.

O Lápis disse...

Licinia, entre a leitura gostosa da D.Clotilde e esta manhã de caminhos, nem sei que te diga!

...que volto rápido, isso escrevo! :)

Um beijinho

Justine disse...

Espaço onde os silêncios e os sons se entrelaçam,onde se pressente dúvida e determinação. Metáfora da vida? Texto redondo, denso, belo.

P.S.: obrigada pela visita e pelas palavras :))

Mar Arável disse...

texto de grande profundidade

que deve ser lido várias vezes

para lhe ouvirmos o eco

bettips disse...

- Os risos, observando pessoas e os seus pequenos tiques.
- Os silêncios, repartidos em mil espelhos dissonantes, um adejar abafado como pássaro preso.

Um eco. De ti? Ou melhor, de ti(s)?
Bjinho

Perdido disse...

Aqui o lobo mau já está de fuça arreganhada para espetar o dente na borreguinha tenrinha. Lol. Fazes-me rir perdidamente.

Ad astra disse...

hoje...com um sorriso


beijinho

JRL disse...

gostei muito, Licínia. beijinho.

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