1.4.08

UMA ROSA


"Caminhava com uma rosa ao ombro." - Foi o que disse quando a detiveram atrapalhando o trânsito, no alinhavo branco da avenida, e lhe atiraram um porquê.
"Bem pesado, o saco à tiracolo. Bem leve, o cheiro da rosa." - Isto disse o autuante. Só ela ouviu.

Licínia Quitério

14 comentários:

Graça Pires disse...

Uma belíssima metáfora sobre os que, sonhando, procuram esquecer os comportamentos comuns... e se deixam seduzir pelo leve cheiro de uma rosa. Gostei imenso.
Um beijo.

mcorreia disse...

lindo! belíssimo! ternurento e duro a um tempo!)

batista disse...

as palavras têm cor, peso, música, cheiro...
por artes encantatórias de anjos e bichos
mulheres e homens
algumas palavras se transmutam em versos.
palavras-versos também têm cor, peso, música, cheiro
... mas são diferentes, encantadas que são:
as tuas palavras, Amiga!
... o cheiro da rosa, da tua rosa
chegou por cá, sabia?
:-)
um abraço fraterno.

Perdido disse...

Pois... o saco é mesmo um problema. Não estaria a senhora a arranjar um grave problema de coluna?

Interessante é a senhora levar uma rosa ao ombro. Geralmente leva-se os macacos dos ombros alheios.

Seria uma atitude de sedução, como sugere a Graça Pires?

Tivemos notícia do cheiro, mas não vimos os espinhos cravados na pele.

O trânsito escoou e ficou o alinhavo branco da avenida a separar as duas vias despovoadas.

herético disse...

e as pétalas de rosa (num relance que fosse) tingiram de vermelho - a rosa era vermelha, não é verdade? - o branco da Avenida...

adorei.

Maria Laura disse...

Vou daqui com os olhos brilhantes da cor dessa rosa cujo aroma perdura no ar.

legivel disse...

... os nossos media estão cheios de casos desta natureza. Por via de regra, destacam o insólito. Raramente procuram das razões dos protagonistas.

no ombro leva uma rosa
na mente esconde um poema
da vida descrita em prosa
não guarda mágoa nem pena.

beijinhos.

M. disse...

Tão simples e tão cheio de sentidos. Gostei muito.

un dress disse...

auto ânSias :)






beijO

maria josé quintela disse...

a insustentável leveza




do aroma!

um Ar de disse...

O "tempo" deu-me licença para voltar e ainda bem.

Estive no outro sítio e li "histórias" que adorei [melhor fora se mas lessem, para eu ouvir, assim, com saudades de quem mas lia, ou as contava...].

No sítio do Poema é outra "história"....:)

...E alguém quer, mesmo, saber o "nome da rosa"?

Agora, terá uma pulseira no pulso
Andará de um lado para o outro
encostada às paredes nuas
de um quarto de hospício
qual pétala murcha
Porquê?
será a sua vez
de perguntar
Então, virá o grito!...
não tardará o silêncio
e o esquecimento
...

Tristes enredos, mais diários do que deviam.


...[BEIJO]...

Marinha de Allegue disse...

Concordo coa apreciación de Graça Pires.
Aromático intre...

Beijos con arrecendos.
:)

Justine disse...

Assim de repente,o teu poema fez-me lembrar o Daniel Filipe. A subversão do quotidiano, a insistência em pintar de cor o cinzento quotidiano.
Perante isto, terias de apoiar o Mounty...:))

JRL disse...

és senhora de pormenores, daqueles que fazem sentido... ;) um beijinho.

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