Foram os corpos desenhos de caminhos
traçados no labor dos dias úteis
em vermelhas praias calorosas
em lívidas luas friorentas.
Aprumados cresceram entre penhascos e lonjuras
atentos sempre à inclinação das noites.
Com versos brancos na língua incendiados
acrescentaram pele a outra pele.
Depois veio o deserto e os corpos
aprenderam novas sedes
já não de águas correntes
mas de estrelas.
Do deserto ao dilúvio foi um palmo de vida
e então os corpos se fizeram casco
se fizeram vela e navegaram.
Não se perderam.
Eram eles o mapa da viagem.
Licínia Quitério
Música: Wim Mertens
NOTA: Vou estar ausente por um curto período. Voltarei com novo fôlego, espero. Entretanto, desejo-vos bons tempos e boas publicações. E deixo beijos.
Licínia
17.10.08
FORAM OS CORPOS
partilhado por
Licínia Quitério
às
2:43:00 da tarde
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
arquivo
-
►
2019
(26)
- dez 2019 (3)
- nov 2019 (3)
- out 2019 (3)
- set 2019 (3)
- ago 2019 (2)
- jul 2019 (3)
- jun 2019 (1)
- abr 2019 (2)
- mar 2019 (3)
- fev 2019 (1)
- jan 2019 (2)
-
►
2018
(41)
- dez 2018 (4)
- nov 2018 (3)
- set 2018 (3)
- ago 2018 (1)
- jul 2018 (4)
- jun 2018 (7)
- mai 2018 (3)
- abr 2018 (4)
- mar 2018 (2)
- fev 2018 (4)
- jan 2018 (6)
-
►
2017
(56)
- dez 2017 (5)
- nov 2017 (3)
- out 2017 (3)
- set 2017 (4)
- ago 2017 (5)
- jul 2017 (5)
- jun 2017 (3)
- mai 2017 (6)
- abr 2017 (5)
- mar 2017 (4)
- fev 2017 (4)
- jan 2017 (9)
-
►
2016
(46)
- dez 2016 (7)
- nov 2016 (7)
- out 2016 (4)
- set 2016 (4)
- ago 2016 (1)
- jul 2016 (4)
- jun 2016 (5)
- mai 2016 (6)
- abr 2016 (1)
- mar 2016 (1)
- fev 2016 (2)
- jan 2016 (4)
-
►
2015
(50)
- dez 2015 (5)
- nov 2015 (2)
- out 2015 (3)
- set 2015 (4)
- ago 2015 (5)
- jul 2015 (5)
- jun 2015 (5)
- mai 2015 (4)
- abr 2015 (7)
- mar 2015 (6)
- fev 2015 (2)
- jan 2015 (2)
-
►
2014
(60)
- dez 2014 (4)
- nov 2014 (5)
- out 2014 (4)
- set 2014 (4)
- ago 2014 (5)
- jul 2014 (6)
- jun 2014 (5)
- mai 2014 (7)
- abr 2014 (3)
- mar 2014 (7)
- fev 2014 (4)
- jan 2014 (6)
-
►
2013
(48)
- dez 2013 (5)
- nov 2013 (3)
- out 2013 (5)
- set 2013 (5)
- ago 2013 (7)
- jul 2013 (4)
- jun 2013 (5)
- mai 2013 (3)
- abr 2013 (1)
- mar 2013 (3)
- fev 2013 (3)
- jan 2013 (4)
-
►
2012
(52)
- dez 2012 (4)
- nov 2012 (4)
- out 2012 (6)
- set 2012 (2)
- ago 2012 (4)
- jul 2012 (6)
- jun 2012 (4)
- mai 2012 (4)
- abr 2012 (4)
- mar 2012 (4)
- fev 2012 (5)
- jan 2012 (5)
-
►
2011
(60)
- dez 2011 (5)
- nov 2011 (3)
- out 2011 (6)
- set 2011 (6)
- ago 2011 (6)
- jul 2011 (3)
- jun 2011 (5)
- mai 2011 (7)
- abr 2011 (4)
- mar 2011 (8)
- fev 2011 (3)
- jan 2011 (4)
-
►
2010
(54)
- dez 2010 (4)
- nov 2010 (3)
- out 2010 (5)
- set 2010 (5)
- ago 2010 (5)
- jul 2010 (3)
- jun 2010 (9)
- mai 2010 (4)
- abr 2010 (5)
- mar 2010 (3)
- fev 2010 (4)
- jan 2010 (4)
-
►
2009
(54)
- dez 2009 (3)
- nov 2009 (3)
- out 2009 (3)
- set 2009 (5)
- ago 2009 (4)
- jul 2009 (7)
- jun 2009 (4)
- mai 2009 (5)
- abr 2009 (3)
- mar 2009 (6)
- fev 2009 (5)
- jan 2009 (6)
-
▼
2008
(55)
- dez 2008 (6)
- nov 2008 (5)
- out 2008 (5)
- set 2008 (4)
- ago 2008 (4)
- jul 2008 (4)
- jun 2008 (5)
- mai 2008 (5)
- abr 2008 (5)
- mar 2008 (4)
- fev 2008 (4)
- jan 2008 (4)




18 comentários:
É verdadeiramente e aqui, que me sento, relaxada de sorrir,
diria - se fosse religiosa - beatificamente.
Beata-a-mente, santificada e angelical a voz que trazes. Mesmo quando a violência e o abandono a tocam.
Bjinho
Poderoso, Licínia. É o que sei dizer.
Gosto muito. Tu sabes disso.
Bjs.
Soberbo! Sem mais palavras...
Um beijo
e as árvores se fizeram palavras, com o corpo do sonho.
palavras
tatuadas
na pele.
.
um beijo licínia.
talento em palavras e imagens
Beij
Como gosto de te ler nesse sentido das palavras e da vida! Belo. **
Armoniosa composición...
Beijinhossss poetisa mafrense.
;)
... do Cabo Dorso até ao Mar dos Artelhos que viagem deuses! E ao largo da cidade de Maxila a calmaria que se pôs que as velas não atavam nem desatavam? Mas o pior estava para vir quando os ventos Zigomáticos se levantaram próximo do Oceano Malar a escassas milhas da capital do Torax...
Excerto do diário de bordo da Nau Coronária VII em viagem de circum-navegação. Dezembro do ano da graça de 1551.
há poema que me deixa quieto, quieto. depois, releio, tresleio e deixo que me leve por caminhos conhecidos ou por conhecer. teu poema: mapa para o infinito.
comovido, deixo um abraço fraterno.
Perfeito, maravilhoso, inspirado.
Vou-to pedir de empréstimo para o expor no meu site e expandi-o em prosaica prosa. Estou a pedir-to, aliás.
"Do deserto ao dilúvio foi um palmo de vida"
- sigo as linhas do "mapa" que tão desenhas. e suspendo-me. nesses passos.
adorei, Licinia. grato pela emoção.
beijos
Os corpos atentos à inclinação das noites. Aprendendo novas sedes. Fazendo-se navegadores e mapa de viagem... Excelente Licínia.
Um beijo.
E nos corpos encontramos o universo, ou tudo o que procuramos fora deles.
Belíssimamente desenhado, este mapa. Não nos perderemos!
um mapa da humanidade
As palavras desenham mapas, parábolas e sinfonias. Mesmo que cantatas de uma nota sofrida...
Gosto muito das tuas palavras!
abraços!
espero a volta, para continuar a ler-te
Publicar um comentário