17.11.09

SE EU PUDESSE


Se eu pudesse dizer-te:  amanhã à tardinha havemos de respirar o verão das cigarras, caminhar enlaçados nas cordas do orvalho, saborear a memória da construção do templo.
Ah se eu pudesse recuperar a humidade das avencas ainda que tivesse de inventar os poços, à minha rua voltariam os sons dolentes da aldeia, como os dos rebanhos que apenas os poemas me disseram.
É tão útil escrever versos e com eles fazer ramos de saudade.

Licínia Quitério

14 comentários:

Mar Arável disse...

Quando se escreve assim

querer é poder

Justine disse...

E com esses magníficos versos fiz um ramo do tempo esqucido em que via passar, da janela da casa familiar, as vacas e seus chocalhos a caminho da fonte comunal.
Um beijo de enorme admiração!

Lídia Borges disse...

É tão gratificante passar aqui e poder levar estes versos na alma, reconfortada.

Um beijo

hfm disse...

Magnífico todo o texto e encerrado de uma forma soberba/poética.

tulipa disse...

Parabéns pelas belíssimas palavras.
Tens o dom da escrita!!!

Vou montar outra exposição de fotografia.
A exposição procura divulgar o que vivenciei pelos caminhos da Índia. Tendo como ponto de partida a fotografia, faço uma reflexão através do tempo sobre imagens que descrevem a solidão dos povos e o significado do seu sofrimento bem como da sua alegria envolvida pela pobreza de géneros necessários à sua sobrevivência, a par da solidariedade e esperança de uma justiça digna.

Aos poucos vou conseguindo aquilo que quero, ou seja, esta EXPOSIÇÃO está aberta aos sábados de tarde, para proporcionar às pessoas que trabalham a oportunidade de a visitar numa tarde de sábado.

Estás convidada para a inauguração no próximo sábado, dia 21 de Novembro, pelas 14h 30m.

Será desta que nos vamos conhecer?
Conto com o apoio de todos os que me têm acompanhado ao longo deste tempo, na blogosfera.
Um abraço forte.

M. disse...

Uma beleza, Licínia! Tamanha a ternura da memória!

heretico disse...

a quem ornamenta, assim, de avencas as palavras, toda a saudade é presente futuro...

muito belo

beijo.

Maria disse...

E como é tão bom ler-te e reavivar memórias antigas, seja do que for... como nos conforta...

Um beijo

maria m. disse...

palavras de nostalgia, num texto belíssimo, como sempre. beijo!

Arabica disse...

Se tu pudesses saber o quanto bucólica esta chuva me torna,
na terra quadrada dos meus olhos...
Se tu pudesses saber quanto se viaja nas tuas palavras!

Um beijo, amiga.

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

È sítio de poema por excelência , e de luz também ...
Abraço
_________ JRMARTO

Graça Pires disse...

Maravilhoso texto Licínia. Tenho a humidade das avencas nos meus olhos. Um beijo.

bettips disse...

Se o conjuntivo fosse presente
não era útil
escrever poemas ou fazer ramos de saudade. Viver-se-ia sob um imperfeito arco e a humidade dos olhos seca.

Não é a explicação do poema mas foi o que pensei - os (teus)poemas não se explicam, bebem-se.
Bjs

legivel disse...

De facto, por algumas coisas já não podemos fazer nada porque não temos o poder de regressar ao passado tornando-o presente. Mas bem podes dizer: eu posso escrever versos e rever ess´outro tempo com a memória poética que a outros está vedada. E isso é muito bom, acrescento eu.

Beijinhos.

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