6.12.09

VAI LONGE O TEMPO



Vai longe o tempo de peregrinar
por searas fartas e maduras
como se fossem mesa,
como se fossem pão.
Agora há um deserto em cada esquina
e a palavra Nunca é um desatino,
uma prega de gelo no olhar.
Porém, na madrugada há um vapor de seda
a cavalgar as pedras,
a despertar os bichos,
e os rios nos acolhem,
com seus barcos tranquilos,
seus espelhos de céu,
seu sabor a nascente.
Seguir nos dias o rumo da corrente,
com um sonho ancorado
no fio do horizonte,
um grão de sal em cada mão,
um desejo de porto
amarrado no peito.
Até dizer seara como quem diz viagem.
Até morder a vida como quem morde o pão.

 
Licínia Quitério

17 comentários:

Katatsumuri disse...

VAI CERTA A ESPERANÇA...!
VAI LOUCO O AMOR...!
VAI PERTO A VIDA...!
VAI LONGE O TEMPO...?
VAI AQUI O MEU ABRAÇO...

Benó disse...

Há sempre uma esperança em cada madrugada que chega.
Gostei.

Mar Arável disse...

" um grão de sal em cada mão"

Quem disse que os poetas
só vivem de palavras?

BJS muitos

Justine disse...

Diz-me o teu magnífico poema, com palavras doces e luminosas, que apesar das traições e ignomínias diárias temos todo um mundo intacto de promessas à nossa frente - é só preciso descobri-lo, inventá-lo, construí-lo!
Que força transmites!
Beijo enorme

Graça Pires disse...

Até amarmos de novo a madrugada...
Belo, o poema, Licínia.
Um beijo

maré disse...

" seguir nos dias o rumo da corrente"

e bordar as margens para que renasça o verde a redimir o céu.

_____
um beijo

heretico disse...

"amassar a vida". na luminosidade de teu poema!

... saio com esse "desejo de porto
amarrado no peito".

belíssimo.

beijos

legivel disse...

... o rio em perspectiva não lhe sai da memória. Não navega mas ainda é barco e ái de quem o queira confundir com perguntas de algibeira «de que lado é o teu estibordo? e o bombordo?»
Prenderam-no com amarras ao cais das chegadas definitivas impedindo-o de avançar um pouco à proa, ou manobrar à ré.
Com dificuldade soletra mar e espuma. Esqueceu definitivamente o sabor do sal.

beijos e sorrisos.

maria manuel disse...

um belíssimo poema, Licínia, de esperança...

beijos.

João Norte disse...

Depois de um tempo há sempre outro tempo. Parabéns, lindo porma.

Arabica disse...

Vamos esquecer o Nunca das esquinas
que nos ferem
angulos mortos
de um sonho que não queremos ver terminado?

Belo poema.
Grande foto.

Um beijo meu.

Maria disse...

"na madrugada há um vapor de seda"
.......
"Até dizer seara como quem diz viagem.
Até morder a vida como quem morde o pão."

Belo poema de esperança e de força, Licínia!

Um beijo

bettips disse...

foi o que notei
a seda das tuas palavras.
E no entanto, o clamor do pão
negado

Bjs

Era uma vez um Girassol disse...

Licínia, que belo poema...
Vai longe o tempo, mas à medida que passa mais bela e serena a tua poesia!
Um abraço e beijinho da flor, a oriente plantada...

Rui Fernandes disse...

Dir-se-iam primos "agora" (lat. nunc) e "Nunca" - tão apartados do tempo que vai longe.

Mas há sempre um "porém" em cada madrugada e esse "porém" é o sentido da Terra.

Gostei muito da "prega de gelo no olhar": é isso mesmo!

Beijinhos.

M. disse...

Para mim este é dos poemas mais belos que já li teus.

M. disse...

Voltei para acrescentar: como uma aguarela da alma. Assim o sinto.

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