3.1.10

COM O VENTO NO ROSTO




Com o vento no rosto e as mãos despidas
detemo-nos e escutamos
um murmúrio de vozes muito antigas.
Aos nossos pés tombam palavras
fatigadas de saberem tantos mares.
É quando as aves saem da paisagem,
um manto de espuma cobre a praia
e  uma janela se abre sobre o tempo
que somos. O corpo esse nos sobra
dorido e persistente guardador
das marcas de água ou do nosso rasto.

Licínia Quitério 

17 comentários:

Maria disse...

Belíssimo este poema! Diria mesmo um poema maior!

Um beijo, Licínia

De Amor e de Terra disse...

Dizer que gosto da sua poesia, é coisa comum; incomum é a sensação
que ela me causa e o rasto que deixa cá dentro, junta com a vontade de que escreva cada vez mais.
Beijos, Parabéns, Bom Ano, cheiínho e Realizações e Sucessos.
Maria Mamede

maré disse...

persistente mar o que nos marca o rosto.

vergados à inclinação do vento
inquilinos de tantas vozes, somos...

água!

_______ obrigado Licínia, este é um poema belíssimo

batista disse...

a memória do que sempre fomos, tênue como fumaça, no princípio do lume, pouco a pouco ganha o céu, espalha-se como luz equatorial... amanhecer.

deixo um abraço fraterno.

legivel disse...

«... ficar aqui nas rochas tão próximo destas ondas que parecem estar zangadas com alguém, tal o barulho que fazem, não me parece boa ideia. O mais avisado é guardar a cana e regressar a penates que hoje fico-me pelo ensopado que ficou do almoço de ontem.»
Afastou-se e as marcas em carreiro das suas galochas ficaram impressas na pouca areia da praia de inverno descrita. Quando a maré as lavou, já ele saira da imagem a caminho de escrever este comentário.

sorrisos.

heretico disse...

saibamos escutar as vozes antigas. e abrir janelas.

guardadores que somos. de um tempo Futuro!

belíssimo.

beijo

Vieira Calado disse...

O tempo que somos são essas marcas de água.

Belo o seu poema.

Bjs

bettips disse...

Como se o nosso rosto se arrepiasse
do teu vento em palavras.
Tão belo o jogo das águas que (nos) deixas a correr (cá) dentro!
Beijo

Lídia Borges disse...

Sem dúvida, um poema que não passa ao sabor do vento.
Um poema que fica!

L.B.

maria manuel disse...

belo azul o desse mar, belas palavras que escutaste e nos ofereces neste início de ano, com sabor a maresia.

beijo.

Vieira Calado disse...

Depois de ler o seu belo poema

desejo-lhe um

BOM ANO

de 2010!

Bjs

Justine disse...

Que exaltante modo de dizer memória, solidão,esperança. Poetisa inteira, o vento das tuas palavras chegou-me ao coração.

Graça Pires disse...

"Aos nossos pés tombam palavras
fatigadas de saberem tantos mares"
A similitude da água com o corpo é tudo quanto sabemos da solidão...
Este poema, Licínia, é muito belo.
Um grande beijo.

Arabica disse...

Grande. Tão grande quanto o mar que guardas. E nos ofereces.

Um abraço, Licínia, neste primeiro post de novo ano ainda que de visita ao nono dia :)

Anónimo disse...

Por conseguir apanhar as palavras que a seus pés tombam e com elas construir tão belos textos...
Por nos dar o previlégio de os partilhar connosco...
OBRIGADA
Um beijo de amizade

KATATSUMURI

Rui Fernandes disse...

Emocionado e cúmplice, não direi mais.
Um beijo e obrigado, minha amiga.

M. disse...

Gosto muito, Licínia. Uma beleza, este poema!

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