11.1.10

O GRITO




Quantas vezes o grito é o silêncio
a invadir da velha casa o esconso
e a explodir nas frestas da memória.
Ou choro de criança a construir o sono
onde se criam histórias de gigantes
desajeitados como o voo róseo
dos flamingos  na crista dos sapais.
Por vezes a urgência de uma boca
colada em desespero ao vidro como
se não houvesse promessas de maçãs.
Se for maior que a minha inquietação
o grito será  o arco e a corda e o canto
do  violoncelo a cravejar de estrelas
a infindável noite dos famintos.


Licínia Quitério 

12 comentários:

Maria disse...

Não podia estar mais de acordo contigo.
Belo é mesmo o teu poema, de silêncios feito...

Um abraço

hfm disse...

Que poema! Começa e acaba sempre em crescendo. Gostei muito!

Mar Arável disse...

Muito bom

O silêncio grita

mais alto

Bjs

heretico disse...

admirável Poema! belíssima a metamorfose (poética)do grito. em arco. e corda. e canto...

... e a noite em estrelas. de amanhecer!

beijo

Graça Pires disse...

Um grito inquieto e lúcido, aqui, neste belíssimo poema.
Um beijo, Licínia.

Justine disse...

E às vezes o grito não é suficiente, é preciso o grito dentro do poema, para que tenha eco, para que chegue ao muto!

bettips disse...

Colado ao vidro
como se não houvesse promessas
de manhãs outras...
Sempre o violino da tua acuidade e delicadeza, Licínia!

(eu sabia porque não há florestas... "no face" está uma ligação que fala disso precisamente!)
Bjs

Silvana Nunes .'. disse...

Olá, boa tarde.
Sou professora, pesquisadora e contadora de histórias.Vivo de blog em blog angariando leitores e tentando divulgar o meu pelo simples fato de perpetuar a história de meu país - tenho medo que ela seja engolida por toda essa globalização.
Se gostar de meu esdpaço e achar minha proposta coerente, por favor SIGA-ME nesta luta por um mundo melhor.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... está convidando para conhecer uma lenda bastante contemporânea - a do pássaro-cabeça-de-vento.
É só clicar no link http://www.silnunesprof.blogspot.com que você chega até lá rapidamente.
Gostaria que tivesse um pouquinho mais de paciência comigo, estou com alguns probleminhas para resolver: preciso de um novo exame de vista e de um monitor novo, o meu está meio embaçado, já tentei regular, mas o problema está com ele mesmo, tenho de comprar outro. E agora não me encontro em condições disso - só eu sei o sacrifício que faço para postar as histórias.
Se já passei por aqui, mil perdões. Como disse, a falta dos meus óculos e esse monitor com problemas não me deixam enxergar direito.
Que os bons ventos soprem a seu favor neste ano de 2010.
A PAZ .
Saudações Florestais !

maré disse...

será o poema

sono

grito

ou oração'



_______ o poema é a dor silenciosa do grito.

beijos Lícinia

A.S. disse...

O peito apertado
O punho cerrado
O choro contido
O corpo oprimido
O sonho rasgado
O medo abafado
O tempo perdido
O amor vencido
A angústia velada
A palavra não dita

Esquece o teu espanto
Liberta o teu canto...

GRITA!!!


Para ti...com um abraço!
AL

maria manuel disse...

magnífico poema, Licínia!
o grito que irrompe de dentro, em imagens fortes e belas em simultâneo.

beijos.

M. disse...

Muito belo, também este poema.

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