24.3.10
LEVE A CARÍCIA
Leve a carícia deste sol de Março
com matizes de nuvens em farrapos
rasando as agudezas dos pinheiros.
Penso no sol de outras primaveras
e não sei se o que penso é somente
o desejo de alguma vez o ter sentido.
Observo os gatos em gestos obsessivos
de lavarem com sol o corpo inteiro
e é o meu corpo inteiro que se alonga
até às águas primevas da memória.
Um homem e uma mulher amam-se
desde o dia em que decidiram saber
se o amor que os outros dizem tem
o sabor de amoras rubras ou é tão só
a alegria de haver amoras nos caminhos.
Talvez eu esteja longe e tenha envelhecido
na contemplação das horas que não mudam
porque nada muda nem as dúvidas
que carregamos no côncavo do tempo.
De pouco serviria o afago deste Março
se a cicatriz do frio não morasse no longe
onde talvez eu tenha envelhecido
olhando um homem e uma mulher
que se amam decididamente na alegria
de amoras rubras em breves descaminhos.
Licínia Quitério
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15 comentários:
e tudo está connosco
vive connosco
e se deita com os olhos do tempo
na noite da pele.
lindo!
beijo
Olá Licínia!!
Que beleza de texto, como descreves bem!! Denso de sentimentos, lembranças e desejos...tudo junto, misturado de uma forma que não dá pra saber onde terminar um e começa o outro!
Gostei!!
Rafael
"Um homem e uma mulher amam-se
desde o dia em que decidiram saber
se o amor que os outros dizem tem
o sabor de amoras rubras ou é tão só a alegria de haver amoras nos caminhos".
Gostei tanto, tanto, Licínia.
Um beijo.
Um prazer para prolongar, lentamente, saboreando cada palavra, cada frase, "tecidas" e "encadeadas" em trabalho harmonioso!
Beijinho
Tão nostálgico, apesar da Primavera. Tão belo, apesar da saudade.Tão fresco, apesar do tempo em memória...
Beijo-te, poetisa!
(in)quietude saciada. no sol de outras primaveras. e no gosto das amoras. rubras...
... e na alegria dos "breves descaminhos"!
gostei muito, sim!
beijo
Caminho de caminho e de carinho
olhando as bermas alegres
como as descreves.
Ao ver o amor, lembrado.
Um amor-perfeito perdido nas ervas do tempo.
Bjs
não envelhece quem assim escreve, com tal sensibilidade e beleza, as memórias do passado que presentifica na contemplação sentida do presente, da primavera de sol e gatos e amoras e amores que agora se abre perante si, e mantém dúvidas de quem nunca envelhece.
beijo grande, Licínia.
Envelhecerão as memórias dos sentidos? A tua escrita sempre o negará. E ainda bem...
Um beijinho
Longos e leves são os caminhos em que nos demoramos a colher carícias saboreando a madureza de amoras verdes
Aromas de
PÉTALA
Leve a tua Primavera, linda...
Beijinho e doce Páscoa*
Licínia,
Lindo e leve este poema. As palavras certas para as doces memórias cinzeladas na pedra.
Beijos.
Santa Páscoa!
Uma Páscoa com muito amor.
Beijos.
Gosto das cores deste teu canteiro de memórias.
e não sei se o que penso é somente
o desejo de alguma vez o ter sentido.
Que importa ser tão belo o teu poema se é tão cruelmente verdadeiro?
E, mesmo assim, releio-o compulsivamente...
Beijo
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